No início de 2020, com o decreto da pandemia da Covid-19 pela Organização Mundial da Saúde, o mundo começava uma longa jornada da primeira grande pandemia do século 21. O vírus matou e fez adoecer milhões de pessoas, algumas com sequelas importantes.
A previsão de modelagens matemáticas, tendo como base a última grande pandemia de vírus respiratório do início do século 20, a pandemia da gripe espanhola, apontava que, sem uma vacina, permaneceríamos em ondas de casos e mortes até 2024.
Felizmente, 2021 foi o ano da vacina contra a Covid-19. Pela primeira vez na história, a ciência havia se desenvolvido suficientemente para responder, ainda no curso da pandemia, com a descoberta de vacinas que poderiam combater o vírus.
2021 foi um ano desafiador. Em meio à polarização política, negacionismo científico vindo do próprio governo federal, com declarações presidenciais que desestimulavam a vacinação, o povo brasileiro respondeu querendo e lutando pelo direito à saúde, conforme prevê nossa Constituição, que naquele momento representava o acesso às vacinas.
Depois de disputas políticas, envolvendo o governador de São Paulo com a vacina de vírus inativado produzida pelo Butantan e a vacina de vetor vital, produzida pela Fiocruz, que foi dada como a vacina do governo federal, o lema “pátria vacinada” foi adotado pelo Planalto, como tentativa de minimizar a rejeição ao governo pela negligência em providenciar os acordos de compra das vacinas. E, quando as doses chegaram, o que vimos foram filas, filas e mais filas. Os brasileiros queriam se vacinar.
Ainda cercada de embates com movimentos de desinformação que eram financiados em altas cifras, os cientistas entraram na arena da defesa da saúde pública. Essa disputa de narrativas colocou cientistas falando diretamente com a população, contribuindo para propagar informações baseadas em evidências científicas, de modo a controlar a pandemia e salvar muitas vidas.
2021 ainda trouxe, ao seu final, a aprovação dos primeiros medicamentos antivirais orais contra a Covid-19, que podem ser administrados em casa nos primeiros dias dos sintomas. A título de comparação, seria semelhante a termos a nosso dispor o Oseltamivir, que é um medicamento antiviral usado na prevenção e tratamento de gripe por Influenzavirus A e Influenzavirus B.
Há duas pílulas anunciadas para combater à Covid-19: uma da farmacêutica MSD e outra da Pfizer, ambas dos EUA. A primeira lançou o molnupiravir, e a Pfizer, o Paxlovid, os dois já aprovados pelo FDA, agência regulatória americana. A fabricação de medicamentos para tratar aqueles que, mesmo vacinados, podem ter chance de desenvolver doenças mais graves é sem dúvida um avanço no controle da doença.
2021 fechou o ciclo tendo a ciência, com financiamento robusto por parte dos governos dos países desenvolvidos, entregando a população vacinas e medicamentos contra Covid.
Assim, chegamos em 2022. Com o progresso da vacinação no mundo e no Brasil, com a ampliação da cobertura vacinal proporcionada pelo aumento da população com possibilidade de receber a vacina, agora incluindo também crianças com 5 anos ou mais, termos uma possibilidade de atingirmos o percentual maior da população imunizada. Se continuarmos nesse ritmo, inclusive com a dose de reforço, estaremos rumo ao controle da pandemia.
E com a diminuição da circulação do vírus, diminuiremos a chance de termos novas variantes que podem mudar o curso da pandemia. E, se não tivermos novas variantes de preocupação, é possível que 2022 seja o ano da esperança, de gerência da pandemia e do retorno das nossas vidas sem restrição de afetos.
Convém lembrar: diminuir a circulação e a transmissão do vírus é a chave para reduzirmos a chance de novas variantes. E a forma mais efetiva para se conseguir essa equação é com a alta cobertura vacinal da população.
Vamos seguir firmes com as lições que já aprendemos, respeitando as medidas de prevenção e principalmente, direcionando-nos pela ciência. Bem-vindo, 2022!