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Economista, professor universitário, ex-deputado federal e ex-ministro da Fazenda. Neste espaço, faz reflexões sobre as decisões econômicas do país. Escreve às quartas

Obscurantismo na gestão transformou Brasil em pária ambiental

Essa imagem ganhou força no exterior pela mediocridade da reação do Itamaraty, que, orientado por uma extravagante "filosofia", emasculou a competente voz de nossos embaixadores

Publicado em 22/07/2020 às 06h01
Atualizado em 22/07/2020 às 09h06
Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles
Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Crédito: Carolina Antunes/PR

Infelizmente, o presidente Bolsonaro administra a pátria amada com os piores preconceitos identitários e religiosos, além de revelar horror às evidências empíricas. Continua a negar o desaparecimento anual de parte da floresta amazônica apurado pelo Inpe. Os dados anuais revelam grandes flutuações, mas sem clara tendência. O aparente aumento entre 2012 e 2019 parece pura ilusão estatística.

Deixemos de lado, por um instante, a "conspiração" interna e externa contra a nossa eficiente e competitiva atividade agroindustrial, resultado do forte apoio político à Embrapa, que "inventou" a agricultura tropical. Esta é, mesmo, respeitada por nossos competidores internacionais – EUA, Europa, Austrália, Argentina, todos fora dos "trópicos". Feito isso, vamos aos fatos.

Qualquer pessoa informada sobre a proteção ambiental no Brasil sabe que o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Código Florestal criaram as condições para o conhecimento seguro (como o Inpe faz) em que se desenvolve nossa agricultura. Nem mesmo o deplorável "deixa passar a boiada" do ministro Salles pode alterar isso.

Os números a seguir, calculados pela Embrapa através do CAR para 2018, dão boa ideia do problema: a área destinada à proteção ambiental é de 66,3% do total (unidades de conservação pública e privada e vegetação nativa, 52,5%; terras indígenas, 13,8%).

Trata-se de uma área equivalente à da Europa. A área utilizada para a atividade agropastoril é, por sua vez, de 30,2% do território nacional: 22,2% plantados, lavoura, pastagem, floresta; 8% pastagens nativas. Para cada hectare plantado, temos, portanto, dois reservados à conservação ambiental!

Quanto à Amazônia, é bom lembrar que temos hoje alocados para tentar proteger uma área de 5 milhões de km2 (60% do país) e 17 mil km de perímetro, 40 mil homens da força armada profissional, com a coordenação do vice-presidente Mourão.

É isso que Bolsonaro e seus ministros das Relações Exteriores e do Meio Ambiente deveriam estar mostrando ao mundo em vez de choramingar contra um complô imaginário que quer nos tirar a Amazônia.

Foram atitudes obscurantistas do ministro do Meio Ambiente (que execrou os competentes burocratas de seus quadros) que ajudaram nossos competidores a transformar o Brasil no pária destruidor do equilíbrio ambiental do planeta Terra.

Essa imagem ganhou força no exterior pela mediocridade da reação do Itamaraty, que, orientado por uma extravagante "filosofia", emasculou a competente voz de nossos embaixadores, reconhecidos desde sempre como diplomatas altamente sofisticados e eficientes na defesa do interesse nacional.

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