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Advogado especialista em Direito Empresarial, professor universitário, doutor em Direito e mestre em Educação e Comunicação

Paulo Guedes é um ministro que vive no mundo da fantasia ou da mentira?

Guedes disse que cresceríamos em “V”. Parece significar que chegamos ao fundo do poço e vamos subir em alta velocidade. O problema é que o otimismo, em alguma medida, em algum momento, precisa se encontrar com a realidade

Publicado em 03/09/2020 às 05h01
Ministro da Economia, Paulo Guedes
Ministro da Economia, Paulo Guedes afirmou que o Brasil voltará a crescer rapidamente. Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Imagine que você comprou, com dois anos de antecedência, um ingresso caríssimo para assistir ao show do seu artista favorito na melhor casa de shows da cidade; depois de muita espera e diversas propagandas... Chega o grande dia. Você entra, senta-se e aguarda: 1 hora, 2 horas e o show não começa. Mas a cada 30 minutos entra um enfeitado animador de auditório dizendo que o espetáculo será imperdível, inesquecível e extasiante! Mais 2 horas e... nada! Então, volta o animador, renovado e cheio de energia, repetindo todas aquelas frases de efeito.

Pela primeira vez você começa a cogitar um pedido de devolução do ingresso, além de danos morais pelo aborrecimento. Mas, intimamente, continua a dizer: eu perdoaria todo esse atraso se em algum momento o show começasse.

Faço parte (ou fazia) do fã-clube de Paulo Guedes. Sempre fiquei encantado com as falas do ministro: “Dormiremos no Brasil e acordaremos na Alemanha”! Essa é realmente sedutora; “Em 60 ou 90 dias, teremos grandes privatizações”! Que notícia alvissareira; Ah, e teve a desta semana: "Estamos decolando em V”! Esta última foi dita logo depois do anúncio de um tombo de 9,7% no PIB do trimestre; para ser justo, em grande parte motivado pelos efeitos da pandemia.

Decolando em “V” é fantástico! Parece significar que chegamos ao fundo do poço e vamos subir em alta velocidade. O que pode ser mais estimulante do que isto?! O problema é que o otimismo, em alguma medida, em algum momento, precisa se encontrar com a realidade. O otimista trabalha com variáveis objetivas e usa a subjetividade para deslocar o ponteiro da percepção para o lado positivo.

Mas não é alguém que enxerga colorido na nuvem cinzenta. O nome desse aí é “lunático”! Já é possível enquadrar o superministro na categoria de lunático? Ainda não, mas está faltando bem pouco. Basta apenas a próxima divulgação do PIB e o desastroso resultado do Caged que, certamente, virão. Fico imaginando quando quase todo mundo começar a pedir o dinheiro do ingresso de volta. Vai ser complicado.

Eu, modestamente, recomendaria ao animador de auditório que adentrasse, sobriamente, pedisse desculpas, dissesse que o artista não vai comparecer e marcasse outra data para o show com antecedência de, pelo menos, mais dois anos. Causaria um terrível burburinho, mas evitaria a catástrofe que ocorrerá quando o público inteiro perceber que foi vítima de estelionato.

Já sabemos que o superávit primário só voltará em cinco ou seis anos. Que outra informação é necessária para percebermos que estamos em uma tremenda enrascada? O resumo do enredo é que o “posto Ipiranga” anunciou que estava vendendo gasolina ao preço de R$ 1 e você foi correndo para lá... encontrou uma fila quilométrica de carros e, finalmente, quando conseguiu ser atendido, foi informado pelo frentista que o preço anunciado de R$ 1 não era por litro, era por 100 ml. Como já estava na fila, você resolve abastecer, mas jura que nunca mais voltará a esse posto!

Fico sempre intrigado querendo saber se o ministro acredita nas coisas que diz. Porque Nietzsche já disse que “o fantasioso nega a verdade para si mesmo, o mentiroso apenas para os outros”! E os nossos filósofos sertanejos já falaram daqueles que vão “negando as aparências e disfarçando as evidências...”. Bom, agora é testar a resistência do auditório!

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