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“Larguei o crack por amor ao meu filho. Hoje, ajudo outras pessoas”

A fé e a vontade de mudar marcam a história da Elizabete Martins Rosa, 52 anos, que é motorista de ônibus. Entre 2003 e 2004 , ela tinha uma loja, carro e casa própria, mas perdeu tudo ao se entregar ao vício em crack. Com a ajuda das irmãs e por amor ao filho, ela está há 12 anos sem usar drogas

Publicado em 23/03/2020 às 20h47
Atualizado em 23/03/2020 às 20h55
Elizabete Martins Rosa, motorista de ônibus, 52 anos
Elizabete Martins Rosa, motorista de ônibus, 52 anos, com sua família. Crédito: Vitor Jubini

Enfrentar o afastamento social em tempos de pandemia do coronavírus não é fácil. Com certeza, para algumas pessoas o período vai ser mais complicado. A  Coluna da Fé está contando  histórias de pessoas que enfrentaram problemas e que provam que é difícil, mas não impossível, superar uma situação limite.  Hoje, veja o testemunho da Elizabete. Vem, conta sua história também! Vem mostrar que é possível!

“Entre 2003 e 2004. Não sei as datas ao certo porque foi uma época da minha vida que me perdi completamente. Eu tinha carro, casa, uma loja grande. Aí, descobri que a minha companheira de anos me traía e me roubava para usar drogas. Fiquei emocionalmente abalada e comecei a beber muito, depois supostos amigos me apresentaram o crack. Foi amor ao primeiro trago. Só queria saber da droga. Eu comecei a perder tudo. Eu não conseguia mais pagar as minhas contas, eu não conseguia mais viver. Foram quase quatro anos de vício.

Eu não tinha consciência de que estava perdendo tudo. Quando eu dei conta, eu estava fumando crack à luz de velas, porque não tinha mais nada dentro da minha casa. Na minha mente eu conseguia esconder o vício da minha família. O negócio deixa a gente tão cego, que achava que ninguém percebia.

Eu estava pronta para me matar. Aí, pedi a Deus para me tirar disso. Dormi e acordei com minhas irmãs querendo me ajudar. Fui para uma clínica, fiquei quatro meses lá e sai achando que estava bem. Minha família alugou e mobiliou uma casa para mim. Eu vendi tudo que tinha e voltei para as drogas. Eu cheguei a me prostituir em troca de umas pedras de crack. Fiquei grávida e, então, a ficha começou a cair.

Eu usei droga até o sexto mês de gestação. De novo voltei pra oração. Levantei e saí andando. Devo ter andando por umas três horas e parei em uma casa para pedir água. Eles me deram e descobri que o local é uma clínica de reabilitação. Pedi para ficar lá, planejando ganhar o bebê, deixar a criança lá e fugir.

Elizabete com o filho Samuel. Crédito: arquivo pessoal
Elizabete com o filho Samuel. Crédito: arquivo pessoal

O nascimento do Samuel, hoje com 13 anos, me ajudou sair das drogas. Peguei ele no colo e senti que precisava me libertar disso. Foi o amor pelo meu filho que me fez sair do crack. Já estava há três meses sem drogas e fiquei mais três anos na clínica, porque não tinha pra onde ir. De lá, consegui emprego em uma fazenda em Linhares, com um casal de idosos. Fiquei com eles por três anos e voltamos para Vitória. Trabalhei como motorista particular, cobradora e hoje sou motorista de ônibus e estou há mais de dez anos sem usar drogas.

Eu sinto uma mistura de sentimentos. Alegria e vontade de chorar. Tem muita gente que acha que não tem jeito para o vício. Eu fico muito feliz por estar de pé e poder ajudar. Eu sou voluntária na casa de recuperação onde me curei. Tudo que eu passei, todas as vezes eu pensei em desistir, hoje eu uso para ajudar outras pessoas. Usuário de droga sempre foi marginalizado, mas ninguém usa droga porque quer, sempre tem uma história emocional por trás do vício.”

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