Na segunda-feira (20), mesmo dia da posse de Donald Trump como o 47º presidente dos Estados Unidos da América, foi realizada a primeira reunião ministerial do governo Lula em 2025. Pode ter sido mero fruto da coincidência a concomitância de datas entre Washington e Brasília. Entretanto, o presidente Lula precisa se cuidar para não ter o mesmo destino de Joe Biden: não ser reeleito, nem eleger um aliado, dando a vitória para seu principal adversário.
Tal colocação, todavia, não equivale a dizer que Bolsonaro será candidato à presidência da República no ano que vem. Ele permanece inelegível e a vitória dos republicanos nos EUA em nada afeta o panorama e as razões jurídicas que conduziram à inelegibilidade de Bolsonaro.
Inclusive, por mais que Bolsonaro espere, nada indica que Trump atuará diretamente para “afastar inelegibilidades”, isto é, tentar forçar uma mudança brusca de entendimento das cortes brasileiras com base numa suposta pressão de outra nação. Os indicativos iniciais são, em verdade, contrários à pretensão de Bolsonaro. Ao demonstrar desinteresse pela América Latina e pelo Brasil, Trump sinalizou certo pragmatismo e que não estaria disposto a se envolver em disputa diplomática com o Brasil exclusivamente para beneficiar Bolsonaro.
A oposição a Lula, contudo, não depende apenas de Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto em 2026. Os próprios filhos e esposa de Bolsonaro vêm sendo cotados, cabendo citar, ainda, o ex-candidato a prefeito de São Paulo, Pablo Marçal, que disputou os holofotes na posse de Trump com o clã Bolsonaro.
Independentemente do nome que se firmar como principal adversário de Lula em 2026 (caso ele de fato dispute a reeleição), o simples fato de fazer oposição a Lula, ao PT e à “esquerda” já atrai muitos votos, sendo desnecessário falar do forte sentimento “antipetista” e “antiesquerda” que existe no Brasil. Também não se pode esquecer do poder de influência das redes sociais e da desinformação na tomada de decisões dos cidadãos.
Basta lembrar toda a polêmica da semana passada, orquestrada por setores da oposição, envolvendo mentiras acerca do Pix e que levou o governo federal a recuar de uma regra que obrigava diversas instituições financeiras e empresas de pagamentos a informarem a Receita Federal sobre movimentações mensais acima de R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 15 mil para pessoas jurídicas pelo Pix.
As falhas de comunicação e publicidade do governo federal contribuem para a redução da avaliação positiva da gestão e do presidente Lula. Por isso, foi apropriada a primeira reunião ministerial do ano na data que marca o início do novo governo nos EUA. Em torno de Sidônio Palmeira, que assumiu o comando da (Secretaria de Comunicação Social) no lugar de Paulo Pimenta, o desafio de não permitir que Lula tenha o mesmo destino de Biden.