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Memória

Glória Maria: ícone da TV e pioneira por vocação

Ela cumpriu bem sua missão, partiu do plano físico, mas seu legado jamais será esquecido. Suas reportagens e participações na TV brasileira permanecerão para sempre no imaginário popular

Públicado em 

03 fev 2023 às 00:01
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

A jornalista Gloria Maria volta à Globo após receber as doses de vacina contra a Covid-19
A jornalista Gloria Maria volta à Globo após receber as doses de vacina contra a Covid-19 Crédito: João Cotta/Globo
O Brasil se despediu nesta quinta-feira (2) de uma das maiores jornalistas e personalidades de sua história. Glória Maria, que desde 2019 fazia tratamento oncológico, partiu deixando uma legião de fãs e admiradores de seu trabalho. Sua carreira fez parte do dia a dia de inúmeros brasileiros que, como eu, viram os fatos serem contados a partir de ângulos e perspectivas únicas, muitas vezes, viajando o mundo sem sair de casa, tudo proporcionado pela habilidade sem precedentes de Glória Maria.
Num país que infelizmente ainda carrega fortes ranços do racismo e machismo, ainda mais destaque merece a trajetória de Glória Maria, que conquistou o posto de verdadeiro ícone da TV brasileira exclusivamente como fruto de seu profissionalismo, talento e competência inquestionáveis. Inspirou uma geração, sobremaneira de mulheres negras. Ela foi a primeira repórter negra da TV brasileira e também foi a primeira a usar a lei contra o racismo.
Glória foi sinônimo de pioneirismo. Foi a repórter que entrou no ar ao vivo com a primeira matéria colorida no Jornal Nacional, em 1977, e soube improvisar quando a lâmpada da câmera queimou, tendo que fazer a entrada ao vivo ajoelhada para conseguir ser iluminada pela luz do carro da reportagem. Trinta anos depois, em 2007, ao lado do repórter cinematográfico Lúcio Rodrigues, protagonizou a primeira transmissão em alta definição da televisão brasileira.
Dentre as incontáveis coberturas memoráveis de Glória Maria, não se pode deixar de citar a guerra das Malvinas (1982), a invasão da embaixada brasileira do Peru por um grupo terrorista (1996), os Jogos Olímpicos de Atlanta (1996) e a Copa do Mundo na França (1998). Tinha facilidade e brilhantismo em entrevistas com estrelas internacionais, como Micahel Jackson, Freddie Mercury e Madonna.
Ela também visitou mais de uma centena de países principalmente para o Fantástico e, mais recentemente, para o Globo Repórter, como em 2016, quando visitou a Jamaica. Lá, teve a oportunidade de entrevistar o campeão mundial de atletismo Usain Bolt e participou dos rituais de uma comunidade rastafári, rendendo memes históricos. Outra das viagens memoráveis de Glória Maria está a visita à Noruega, quando mergulhou em uma piscina com água quase congelada e gravou: “É horrível! Mas ao mesmo tempo é bom”. Além do talento nato, bom humor nunca lhe faltou.
Glória Maria cumpriu bem sua missão, partiu do plano físico, mas seu legado jamais será esquecido. Suas reportagens e participações na TV brasileira permanecerão para sempre no imaginário popular. Glória Maria sempre estará entre nós, num lugar reservado a ela na história e em nossos corações. Descanse em paz!

Caio Neri

E graduado em Direito pela Ufes e assessor juridico do Ministerio Publico Federal (MPF). Questoes de cidadania e sociedade tem destaque neste espaco.

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