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Tensão em Vitória

Ataques a ônibus teriam outra razão?

Não há como deixar de se fazer certos questionamentos acerca do ocorrido, notadamente, dadas as particularidades do dia de caos em Vitória

Publicado em 14 de Outubro de 2022 às 02:00

Públicado em 

14 out 2022 às 02:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

Incêndio em ônibus
Bandidos colocam fogo em ônibus na Praia do Suá, Vitória. Crédito: Carlos Alberto Silva
Não deveria ser normal, mas, incêndios a ônibus não são raridade no Espírito Santo, e não é de hoje. Segundo informações do Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus), desde 2004, 84 ônibus do Sistema Transcol foram incendiados por criminosos e ficaram totalmente destruídos, gerando um prejuízo às empresas e aos usuários do transporte coletivo. Todavia, o que houve de diferente nos ataques desta semana?
Até o momento, a principal tese é de que os ataques ocorreram como uma represália à morte de um suspeito que seria segurança do traficante Fernando Moraes Ferreira Pimenta, conhecido como “Marujo”, responsável pelo comando do tráfico de drogas em várias regiões da Grande Vitória. Porém, o governador Renato Casagrande chegou a dizer que a “investigação poderá apontar outras razões”.
Se nem os próprios órgãos de investigação chegaram a uma conclusão, quem sou eu para cravar qualquer resposta, nem é esse o objetivo. Entretanto, não há como deixar de se fazer certos questionamentos acerca do ocorrido, notadamente, dadas as particularidades do dia de caos em Vitória.
De início, causa estranheza que a ação que culminou com a morte do suspeito tenha se iniciado, em plena madrugada, após o recebimento de uma “denúncia anônima informando” que Marujo estaria escondido na escadaria Alexandre Rodrigues. Sendo Marujo considerado um dos criminosos mais procurados pela polícia no Espírito Santo, o que se pressupõe é que uma ação para capturá-lo deveria ser extremamente calculada pelo setor de inteligência, em vez de se dar às pressas após o recebimento de uma informação apócrifa.
O fato é que, após iniciados os ataques, o episódio passou a ser altamente utilizado para fins eleitorais pela campanha do adversário do atual governador. Lembrei-me, a propósito, da greve da PM em 2017. Houve, inclusive, membros da extrema direita que foram às ruas para fazer vídeos, supostamente, no afã de denunciar o descontrole da criminalidade pelas forças públicas estaduais. Tudo isso às vésperas de um raro segundo turno para o Palácio Anchieta.
Só a mim causou estranheza tudo isso? O caos serviria para trazer mais votos para um ou outro candidato? Se efetivamente os ataques ocorreram como revide às ações policiais, não seria de se supor, então, que o governo estadual tem incomodado o tráfico de drogas?
Se sobram muitas dúvidas, ao menos uma resposta tivemos durante esse episódio: a atuação das guardas municipais e dos municípios precisa ser aprimorada! Com o devido respeito, as guardas civis municipais devem dar enfoque a questões mais urgentes, em vez de cingir sua atuação à aplicação de multas de trânsito e apreensão de cigarros contrabandeados, por exemplo. Os municípios, principalmente os da região metropolitana, precisam investir nas áreas de inteligência e direcionar-se contra os crimes violentos.
Como a grande maioria dos ataques ocorreu em Vitória, uma ilha de dimensões diminutas, parece que a segurança pública ainda não está totalmente pacificada na capital. Isso nos leva a concluir que não basta ter um delegado na cadeira de prefeito, haja vista que, de dentro do gabinete, não se conseguiu resolver o problema da violência num piscar de olhos.
O problema da criminalidade não irá se resolver apenas com base na bala e no encarceramento de pessoas. É bem verdade que aqueles que cometem crimes devem serem punidos após o regular trâmite de um processo justo. Contudo, enquanto não se investir em ações coordenadas e preventivas, a vaga no crime do criminoso preso logo será preenchida por outra pessoa. Prende-se mas o crime não acaba.
Problemas complexos dificilmente serão resolvidos com soluções momentâneas ou miraculosas. Para combater o crime municípios, Estado e União devem ocupar os espaços que atualmente estão preenchidos pelos criminosos. Por isso, além de policiais, é preciso levar aos locais dominados pela criminalidade oportunidades e condições de vida digna às pessoas.

Caio Neri

E graduado em Direito pela Ufes e assessor juridico do Ministerio Publico Federal (MPF). Questoes de cidadania e sociedade tem destaque neste espaco.

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