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1º de Maio

Afinal, há algo a se comemorar neste Dia do Trabalho?

É imprescindível que sejam buscadas alternativas a conciliar a voracidade econômica com a função social do trabalho, garantindo o não retrocesso no campo dos direitos sociais

Publicado em 01 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

01 mai 2020 às 05:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri Caio Neri
trabalhador da indústria - soldador
Trabalhador da indústria Crédito: Pixabay
O 1º de Maio é uma homenagem ao trabalhador e à importância social do trabalho. A escolha da data faz alusão a uma greve iniciada em Chicago, no dia 1º de maio de 1886, cujo objetivo era a reivindicação por condições mais dignas de trabalho, sobretudo, a redução da carga diária de trabalho que chegava até a 17 horas. Infelizmente, essa foi mais uma das manifestações de trabalhadores que ficou marcada por violência estatal, resultando em prisões e mortes de manifestantes.
Apesar de em quase todo o mundo a data ser celebrada no dia 1º de maio, nos Estados Unidos, onde ocorreu a manifestação que deu origem à data, o Dia do Trabalho é comemorado na primeira segunda-feira de setembro, supostamente para evitar associar o Dia do Trabalho ao fantasma dos movimentos comunistas. Se a moda pegar no Brasil…
Além da importância histórica da data, é ainda mais fundamental relembrar a relevância da conquista de direitos sociais pela classe trabalhadora. Isso porque, com a Revolução Industrial, no que pesem os avanços tecnológicos, retrocessos significativos foram registrados no âmbito das relações de trabalho.
Fazendo coro ao liberalismo predatório, o que mais se exigia dos trabalhadores nas indústrias era uma produtividade desumana, tudo em nome do lucro. Naquele contexto, não era incomum que no ambiente insalubre das recém-chegadas indústrias, fossem encontradas crianças trabalhando entre adultos, a carga horária não tinha limites, aos trabalhadores havia muitas e excessivas exigências a despeito dos quase inexistentes direitos.
Após essa fase de intenso desrespeito à condição humana dos trabalhadores, com muito esforço, países ao redor do mundo começaram a reconhecer a segunda geração de direitos humanos, assegurando minimamente direitos sociais aos trabalhadores. Todos esses esforços, entretanto, não conseguiram impedir que nos dias atuais as relações trabalhistas voltem a ficar precarizadas.
Sem se esquecer da triste constatação de que ainda há trabalhadores colocados em situação análoga à escravidão, em tempos de crise econômica, pandemia do coronavírus e de um governo inimigo dos trabalhadores, a informalidade praticamente se tornou a nova regra, deixando os trabalhadores à margem do descaso estatal. Afinal de contas, como o trabalhador vai negociar em pé de igualdade com os empregadores se prevalece a máxima “manda quem pode, obedece quem tem juízo”?
Por isso, no 1º de Maio, apesar da importância de celebrar a data, imprescindível que sejam buscadas alternativas a conciliar a voracidade econômica com a função social do trabalho, garantindo o não retrocesso no campo dos direitos sociais, no afã de que nunca mais trabalhadores sejam vistos apenas como números, responsáveis pela produção, mas, como seres humanos e que por isso, devem ser respeitados e resguardados.

Caio Neri

Caio Neri Caio Neri

É graduado em Direito pela Ufes e assessor jurídico do Ministério Público Federal (MPF). Questões de cidadania e sociedade têm destaque neste espaco.

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