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História

A marcha que mudou a luta contra a segregação racial não deve ser só memória

Todo o movimento iniciado em Selma tinha por objetivo garantir o direito de voto à população negra. Que os 55 anos de Selma nos faça relembrar o porquê de votarmos, a importância de escolher em quem votar e o direito de todos de votar!

Publicado em 04 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

04 mar 2020 às 05:00
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

Martin Luther King na marcha de Selma Crédito: Divulgação
Há 55 anos, em março de 1965, o pastor doutor Martin Luther King, que liderava o movimento de luta contra a segregação racial nos Estados Unidos, iniciou um movimento em Selma, para o reconhecimento do direito de voto aos negros norte-americanos.
Foram três marchas em março daquele ano, a primeira delas no dia 7 de março de 1965, repelida brutalmente pelas forças policiais do condado de Selma e do Estado do Alabama; tão violentamente que aquele dia ficou conhecido como “Bloody Sunday” (Domingo Sangrento).
Nessa primeira tentativa, Dr. King não estava presente, mas no dia 9 de março eles voltaram para Selma e tentaram novamente, desta vez com a presença de Martin Luther King. Porém, foi somente no dia 16 de março que os ativistas, juntamente com Dr. King, conseguiram completar a marcha saindo da cidade de Selma até a capital do Estado de Albama, a cidade de Montgomery.
Todo o movimento iniciado em Selma tinha por objetivo garantir o direito de voto à população negra, que compunha grande parte dos habitantes dos Estados do sul norte-americano, mas eram governados por pessoas brancas. Para piorar a situação, de acordo com as regras do direito norte-americano, não só os representantes do poder Executivo seriam eleitos pelo voto popular, como também os representantes do poder Judiciário, de modo que a população negra era detida por forças policiais brancas e julgadas por juízes e jurados brancos, pois somente cidadãos votantes podiam ser jurados nas cortes americanas.
Em resumo, a situação em 1965, apesar da lei federal que garantia a igualdade de direitos civis e acabava com a segregação racial, era ainda de total incapacidade de o povo negro determinar diretamente o curso da sua vida e o seu futuro. Sem falar que a maioria dos Estados sulinos não respeitava o Civil Right Act de 1964.
O movimento de direitos civis liderado por Dr. King era pautado na não-violência ativa, ele participava de marchas, protestos e tinha o dom da palavra, que movia milhões de pessoas ao redor do país para a causa humanitária da igualdade racial nos Estados Unidos. Um professor da Universidade da Califórnia, Richard Boswell, quando esteve na Ufes em 2015 me relatou que Martin Luther King era uma pessoa que tinha pesadelos constantemente, mas que teve a sabedoria e a sensibilidade de falar somente sobre sonhos para os seus co-cidadãos afro-americanos. E esses sonhos fizeram história!
King morreu sem ver o sonho de igualdade de tratamento aos negros nos Estados Unidos e no mundo se realizar completamente. Sem ver o reconhecimento da dívida histórica que a escravidão representa, o poder do trabalho e da força desse povo reconhecida em gratidão pela nação americana, porque isso, ainda hoje, não aconteceu. Mas uma coisa foi alcançada, em 6 agosto de 1965, quando o presidente Carter assinou o Voting Rights Act, concedendo o direito ao voto à população negra nos Estados Unidos.
De acordo com o presidente Carter, nos seus comentários sobre Selma e a lei, o voto “é o instrumento mais poderoso já concebido pela humanidade para quebrantar a injustiça e derrubar os terríveis muros que imprisionam os homens porque eles são diferentes de outros homens.”
Que os 55 anos de Selma nos faça relembrar o porquê de votarmos, a importância de escolher em quem votar e o direito de todos de votar! Que as lutas pacíficas do pastor protestante Dr. Martin Luther King não tenham sido em vão, afinal, o voto universal tem o poder de separar a civilização da barbárie.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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