Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Novo ambiente

Algoritmos estão mudando o mundo e merecem que a gente se preocupe

Com os computadores, os algoritmos estão mudando o mundo. Começam a interferir em tudo. Intrometem-se nos modos de vida. Ambientam-se nas culturas e sociedades. Por isso, merecem que a gente se ocupe (e se preocupe) com eles

Públicado em 

07 jul 2020 às 05:00
Bernadette Lyra

Colunista

Bernadette Lyra

Os algoritmos estão mudando a maneira como lidamos com o mundo digital
Os algoritmos estão mudando a maneira como lidamos com o mundo digital Crédito: Freepik
A confiança dos seres humanos na tecnologia tem serventias. E tem desserventias também. A captura de dados é um exemplo. Você vê filmes da Netflix, assiste a vídeos no YouTube, faz pesquisa na internet. De repente, empresas de serviços começam a oferecer produtos que interessariam a você. Não se espante se compartilhou a foto daquele lindo bolo caseiro e uma chusma de anúncios sobre ingredientes e artefatos usados na gastronomia começaram a pipocar em sua página de rede social. É que seus dados são monitorados, colhidos, manipulados por algoritmos.
Afinal, o que é um algoritmo? É simples. É uma série de instruções, realizadas para resolver um problema. Pode ser qualquer coisa: uma receita de pão; dicas para fazer origami; a escolha de personagens na produção de um romance, como costumam ensinar as oficinas de literatura. A ideia de algoritmo é antiga. Mas, com os computadores, os algoritmos estão mudando o mundo. Começam a interferir em tudo. Intrometem-se nos modos de vida. Ambientam-se nas culturas e sociedades. Por essa razão, merecem que a gente se ocupe (e se preocupe) com eles.
Um algoritmo é finito e executa instruções de forma sistemática. É cego diante do que está fazendo. “O algoritmo não entende a ironia” – queixou-se um amigo, bloqueado ao usar uma palavra que o facebook achou ofensiva. Ele tem quase razão. Digo quase. Porque, na verdade, o algoritmo apronta proezas dignas de camaleões: consegue se adaptar aos sentimentos e operar na fissura que separa a razão da sensibilidade.
É o que ocorre com algoritmos biológicos, enfronhados nos labirintos de neurônios do cérebro. A gente crê que domina nossas experiências sensíveis. Porém, elas não caem do céu da emoção. São resultado dos dados computados abaixo da linha consciente. Na ironia, quantificam o humor ou desprezo que uma pessoa sente frente a um fato; no medo, calculam o perigo de morte diante de um bicho selvagem; no amor, medem a conveniência de uma parceria sexual e afetiva; na inveja, aproveitam os sinais da baixa autoestima de alguém que imagina que outra pessoa brilha demais e que vai lhe fazer sombra nos predicados artísticos, físicos ou da profissão.
Parece que nada do que a gente faz, pensa ou sente escapa aos algoritmos. Eles são parte de nós. E como nossa incompletude humana resulta em um cometimento de erros, os erros viram dados também. A questão é que os algoritmos aprendem a partir dos erros e evoluem. Estão cada vez mais espertos. E cada vez mais estamos dependentes deles. É aí que mora o perigo.

Bernadette Lyra

É escritora de ficção e professora de cinema. Escreve às terças-feiras sobre livros, filmes, atualidades variadas e fatos contemporâneos

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Páscoa é a liberdade para todas as pessoas
Imagem de destaque
Chefe de polícia do ES é denunciado à PF por suspeita de coação a delegado
Imagem de destaque
A Guarderia é apenas ponta do iceberg

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados