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Crônica

O Centro Histórico é a raiz da nossa cidade

O Centro de Vitória começou no alto, na extensão da rocha do maciço central. Quem sabe quantos indígenas ali pisaram antes do quadrado de edificações dos primeiros navegantes que vieram d’além mar?

Públicado em 

04 jul 2023 às 00:10
Bernadette Lyra

Colunista

Bernadette Lyra

Centro histórico de Vitória com destaque para a Catedral Metropolitana
Centro histórico de Vitória com destaque para a Catedral Metropolitana Crédito: Fernando Madeira
Fala-se muito do Centro desta nossa cidade. Mas qual é a ideia por trás das palavrinhas “centro de uma cidade”? Pode ser que não seja uma ideia apenas, mas sim uma multidão de ideias, girando como uma farândola na cabeça de quem se ocupa em pensar sobre isso. Um dos mais corriqueiros desses pensamentos é juntar o espaço geográfico com as lâminas da História. Daí “Centro Histórico”, que soa bonito, mas que nem sempre é recebedor de atenção.
O que é um Centro Histórico senão um amontoado de relíquias que se acumulam em muitas décadas de transformações e que a memória dos habitantes de uma cidade pode ou não preservar? Há muita gente que acha que relíquias são velharias e que é uma bobagem dar maior importância aos fragmentos memoriais que atestam a passagem do tempo na História. Alguns até se põem em estado de boa vontade piedosa na defesa de quem contribui para a destruição do patrimônio artístico e arquitetônico, quer seja por descaso, ignorância ou proveito pessoal. Talvez seja o que Sartre chamou de “má-fé”. Ou como diz o ditado: “de boa vontade, o inferno está cheio”.
Filosofices à parte, ninguém em sã consciência pode negar que a degradação de um Centro Histórico produz efeitos negativos para a cultura e a identidade de qualquer lugar.
O Centro de Vitória começou no alto, na extensão da rocha do maciço central. Quem sabe quantos indígenas ali pisaram antes do quadrado de edificações dos primeiros navegantes que vieram d’além mar? Depois é que, embaixo, foram feitos os aterros sobre mangues, pauis, lodaçais. Ficou assim, uma mistura de altos e baixos que foram se interpenetrando, ligados por escadarias e ladeiras.
No baixo, sobre o solo aterrado, restam hoje construções antigas: o Teatro Carlos Gomes, o Glória, a Fafi, a Praça Oito, a Costa Pereira, que fica na embocadura das Ruas Sete, Gama Rosa e Treze de maio e é tão familiar que, em bom capixabês, dispensa o nome de praça.
No alto, ficam as ruínas do mosteiro de São Francisco e a lembrança do cais com o mesmo nome do santo, revelando até onde iam as águas e chegavam as canoas. Águas e brejos se espraiavam pelo local onde hoje fica o Parque Moscoso. Ficam também os restos do que um dia foi a igreja de São Tiago e de outras velhas igrejas que faziam frente uma para outra, à exceção da igrejinha de Santa Luzia que não fica de frente para nada e foi a primeira levantada na Ilha.
Enfim, o Centro Histórico é a raiz da nossa cidade. Nunca é demais pedir que a ele sejam dispensados os cuidados que lhes são devidos. Sobre isso, muito mais eu poderia dizer. E muitos outros também já disseram, bem melhor e com mais propriedade de que eu.

Bernadette Lyra

É escritora de ficção e professora de cinema. Escreve às terças-feiras sobre livros, filmes, atualidades variadas e fatos contemporâneos

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