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Revitalização

Considerações sobre o Centro Histórico de Vitória

Não posso negar que esse é um assunto que está sempre na linha de tiro de minhas palavras, quando vejo o descaso e a negligência com que está sendo tratado o núcleo onde teve começo esta nossa Vitória

Públicado em 

01 mar 2022 às 02:00
Bernadette Lyra

Colunista

Bernadette Lyra

História Abandonada - Ensaio fotográfico com foco nos detalhes da arquitetura de época, ação do tempo e o descaso com alguns prédios no Centro Histórico de Vitória
Centro Histórico de Vitória Crédito: Fernando Madeira
Toda cidade é um organismo vivo. E o coração orgânico de toda cidade é seu centro, lugar em que se concentra a memória do passado ancestral. Nunca é demais lembrar que o centro histórico é a âncora da identidade de uma cidade. Foi nele que a variedade da vida urbana e a diversidade social tiveram início. É nele que se acumulam provas da história, da arte, da arquitetura. Será sempre nele que uma sociedade terá provas e vestígios daquilo que é mais fundador e legítimo em sua constituição.
Vocês hão de indagar a razão dessas ponderações, com o verbo ser no passado, presente e futuro como se um discurso de palanque político esta crônica fosse. Ou vocês já sabem (porque são muito sabidos – como dizia mestre Guilherme dos Santos Neves) que a tríade verbal do parágrafo acima tem a pretensão de dizer da importância simbólica do Centro desta nossa cidade. Não posso negar que esse é um assunto que está sempre na linha de tiro de minhas palavras, quando vejo o descaso e a negligência com que está sendo tratado o núcleo central primeiro onde teve começo esta nossa Vitória, escolhida para assim ser Capital do Estado do Espírito Santo desde as mais priscas eras.
Vivemos em uma ilha ancorada à beira de uma baía que, de tão original conformação, já por um rio foi tida. Esta Guananira (assim a chamavam os povos originários), fundada partir do alto chapado de uma pedra – como comprova a primeira igrejinha de Santa Luzia, que atravessa os séculos e ainda lá está branquejando – foi crescendo por ladeiras e becos e escadarias, foi sendo povoada de casas agarradas à pele dos rochedos, foi se esparramando por aterros por cima do mar.
Mas, por mais que a cidade se expanda nos limites que vai conquistando, por mais que novos bairros sejam mais atraentes, por mais que as gerações mais novas percam contato com o tudo que a precedeu, por mais que aqui aportem forasteiros que solenemente desconhecem nossas tradições e nossa história, nada justifica o abandono do Centro, hoje transformado em uma região pobre, eivada de estacionamentos fraudulentos de veículos em seus locais de patrimônio histórico, muitos deles tomados por assaltos e usuários de drogas.
No site da prefeitura, leio que “existe um projeto de revitalização do Centro de Vitória... recuperando a atratividade da região central da cidade tanto como local para se viver, como para se investir”. Tomara! Oxalá! Assim seja! A degradação do Centro Histórico produz efeitos negativos sobre a nossa identidade e cultura. E como dói na alma de quem ama deveras a cidade!

Bernadette Lyra

É escritora de ficção e professora de cinema. Escreve às terças-feiras sobre livros, filmes, atualidades variadas e fatos contemporâneos

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