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Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Uma sociedade levada à exaustão

Crise econômica vivida nos últimos cinco anos pelo Brasil somada à pandemia do novo coronavírus trazem um cenário devastador para o país

Publicado em 27/06/2020 às 05h00
Atualizado em 27/06/2020 às 05h02
Data: 06/03/2020 - Coronavírus está afetando o cenário econômico mundial
Data: 06/03/2020 - Coronavírus está afetando o cenário econômico mundial. Crédito: Shutterstock

"A população está exausta.” A frase simples e direta foi dita pelo presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Léo de Castro, nesta semana, durante apresentação virtual da entidade ao divulgar dados de uma pesquisa que traz as percepções do setor produtivo sobre a Covid-19 e a atividade econômica.

As poucas palavras sintetizam bem o sentimento que é perceptível entre diferentes classes e segmentos da sociedade. Do trabalhador ao empresário, falta fôlego para encarar tudo o que o país tem vivido nos últimos anos, e que a pandemia promete intensificar de uma maneira a deixar qualquer um anestesiado.

Em sua fala, Léo de Castro lembrou o porquê chegamos a esse ponto de estafa. Os últimos cinco anos têm sido de uma convivência que oscila entre a recessão e a estagnação econômica.

Léo de Castro

Léo de Castro

Presidente da Findes

"Desde 2015 até agora, o PIB do Brasil decresceu perto de 4%, enquanto o mundo cresceu 15% e os países emergentes, 25%. Já vínhamos de uma situação complicadíssima e, quando começávamos a levantar voo, fomos abatidos já na decolagem"

O cenário descrito por Castro é de devastação e, por mais que seja desanimador, não pode ser tratado como exagerado nem alarmista. É a mais pura constatação de um país que perdeu seu rumo e não consegue retornar para ele. E não conseguirá voltar enquanto não tiver uma agenda clara de onde quer chegar.

O Brasil continua sem um projeto de governo sólido e sem uma liderança capaz de indicar quais devem ser as nossas prioridades e como elas devem ser trabalhadas para serem alcançadas. Falta planejamento para enfrentar a pandemia e o pós-pandemia. Falta a capacidade de diálogo entre as diferentes esferas e instituições para que haja o mínimo de objetivo comum em prol do país.

Na apresentação feita pela Findes, o setor produtivo trouxe suas demandas. Por meio de um manifesto, onde estão listadas 14 pautas defendidas pela indústria, a entidade deixa claro quais reformas e ações, a exemplo da nova lei do gás e da reforma administrativa, vê como essenciais para uma retomada.

A federação está ali fazendo o papel dela, brigando pelo o que acredita ser urgente para o desenvolvimento do país. Mas sozinha será um grito perdido.

É preciso envolvimento de diferentes atores nesta reconstrução do Brasil. Assim como é preciso que outros setores coloquem na mesa suas demandas e pressionem os gestores públicos a debater e a definir quais são as ações que vão ser adotadas daqui para frente.

O que não dá é para continuarmos perdendo tempo em um debate ideológico, vazio e sem nenhuma efetividade de políticas públicas. Já se foi um ano e meio nessa celeuma, e a pandemia parece ter escancarado de vez a nossa incapacidade de nos organizarmos no presente e nos prepararmos para o futuro.

É fundamental que se tenha em mente que a forma como estamos enfrentando a crise da Covid-19 e as ações que vamos adotar para driblar os efeitos causados por ela vão ser lembrados por anos e vão ditar a nossa capacidade de nos reerguermos ou nos afundarmos enquanto nação e economia.

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