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Beatriz Seixas

Supermercados: olho no futuro e pé no passado

Setor prepara censo, mas ainda diverge sobre abertura de lojas aos domingos

Publicado em 06 de Março de 2019 às 16:33

Públicado em 

06 mar 2019 às 16:33
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Alguns supermercadistas são contrários à abertura das lojas aos domingos Crédito: Divulgação
O segmento supermercadista do Espírito Santo começou a fazer pesquisas e levantar informações para lançar no segundo semestre deste ano um censo do setor. A ideia da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) é identificar quantos são os estabelecimentos pelo Estado, em quais bairros de cada cidade estão localizados, qual o perfil das lojas, quantos metros quadrados em média tem as unidades, além de quantos empregos são criados e quais as características principais dessa mão de obra.
Segundo o presidente da Acaps, João Falqueto, este será o segundo raio-x feito pela entidade. O primeiro aconteceu em 2007. De acordo com ele, a intenção é atualizar os dados e buscar informações mais precisas para que os empresários tenham condições de tomar decisões mais certeiras no curto, médio e longo prazos.
“A partir dos dados, poderemos entender melhor como evoluímos nesse tempo e teremos um retrato mais atual do setor. Assim, seremos capazes de projetar melhor as nossas ações de agora, e melhorar a projeção dos negócios para os próximos anos”, ponderou Falqueto ao citar que o lançamento do censo vai acontecer na segunda quinzena de setembro, durante a feira Acaps Panshow.
A busca por informações e por mais subsídios para os negócios atenua um caminho que o setor supermercadista capixaba vem traçando ao longo dos últimos anos: o da profissionalização, o da melhoria de processos e o do investimento em tecnologia e inovação. Aliás, esses “lemas” foram reforçados durante a crise por muitos empresários como forma de sobreviver no mercado e de manter a saúde financeira das empresas. Aqueles que os ignoraram, ficaram no meio do caminho ou tentam agora se reerguer juntamente com a própria economia, que ainda se recupera meio cambaleante.
Mas se o setor tem olhado para frente nos quesitos conhecimento e eficiência, no quesito abertura das lojas aos domingos aí ele já dá sinais que “anda de lado” para não dizer para trás.
Depois de patrões e empregados concordarem, na convenção coletiva de 2018, que o funcionamento dos supermercados nesse dia seria facultativo em todo o Estado, ou seja, abre quem quer, na semana passada voltou ao radar do setor fechar as portas. Um verdadeiro retrocesso!
Com o carnaval, o impasse perdeu força, mas certamente deverá retornar à pauta dos sindicatos e das associações de trabalhadores e patrões ao longo deste ano. Dificilmente o que foi definido em 2018 será modificado sem que haja uma nova convenção. Mas só do assunto ter vindo à tona novamente demonstra que precisamos amadurecer melhor alguns conceitos ligados ao capitalismo e ao livre mercado.
Onde já se viu empresários alegarem baixo movimento e prejuízos com o funcionamento dominical para não simpatizarem com a abertura geral nesse dia da semana? Ora, se abrir não vale a pena, basta ficar fechado. A solução é simples. Na condição atual, ninguém está sendo obrigado a abrir as portas.
O problema é que fica difícil admitir que “eu não quero funcionar, mas também não quero que o meu vizinho o faça”. Nenhum dono de supermercado fala isso abertamente. Por isso que muitas vezes a responsabilidade para os estabelecimentos não abrirem recai sobre os trabalhadores, que também têm sua parcela de contribuição para as lojas terem ficado fechadas ao longo de nove anos.
É importante deixar claro que tanto trabalhadores quanto empresários têm motivos e justificativas que, em muitos casos, são válidas. Mas elas não devem inviabilizar todo um acordo. Aliás, elas não devem ser uma pá de cal para a livre iniciativa.
O PhD em Economia e economista-chefe da Apex Partners, Arilton Teixeira, avalia esse imbróglio como um desestímulo para a competição. “Estão querendo usar o Estado para criar um cartel. Isso vai contra o livre mercado. Essas discussões não fazem o menor sentido, ainda mais considerando que temos 12 milhões de desempregados e passamos por uma reforma trabalhista, que certamente facilitou as contratações aos domingos.”
Montenegro irá para EPL
O atual presidente da Codesa, Luis Claudio Montenegro, deixará o cargo e passará a atuar na Empresa de Planejamento e Logística (ELP), órgão vinculado ao Ministério da Infraestrutura. A informação é do ministro da pasta, Tarcísio de Freitas. Ainda de acordo com ele, a nomeação de Julio Castiglioni para o comando dos portos públicos capixabas deverá acontecer nos próximos dias. Enquanto isso, Castiglioni está na Arsp, órgão regulador do ES.
Até o fim do ano sai
Na última semana, Ministério Público do ES, governo do Estado e a BR Distribuidora participaram de uma audiência para definir alguns pontos ligados à criação da ES Gás. A expectativa era de que essa fosse a última reunião para enfim a companhia estatal ser criada. Mas, como o MP-ES fez alguns pedidos, tudo indica que será necessário um novo encontro. A previsão do procurador geral do Estado, Rodrigo de Paula, é de que até o final de 2019 a ES Gás entre em operação.
Rumo à China
Empresários do Estado e representantes do Sindirochas e do Centrorochas participam da Xiamen Stone Fair 2019, maior feira mundial do setor de rochas que acontece na China de hoje até sábado. Os capixabas estão indo atrás de negócios com o país asiático, que já é o segundo principal mercado de rochas nacionais, fica atrás apenas dos Estados Unidos. Entre 2015 e 2018, a China aumentou a importação de produtos brasileiros em 33,4%.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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