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Jornalista de A Gazeta. Há 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica.

PIB virou sinônimo de frustração e incerteza

A demora da reação da atividade produtiva, o avanço do coronavírus no mundo e a instabilidade política no país trazem muitas dúvidas sobre o crescimento da economia brasileira

Publicado em 29/02/2020 às 05h00
Atualizado em 29/02/2020 às 05h03
Projeção de crescimento para o PIB do ES varia de 1,3% a 5,2% em 2020. Crédito: Pixabay
Projeção de crescimento para o PIB do ES varia de 1,3% a 5,2% em 2020. Crédito: Pixabay

Nos últimos anos, as projeções de crescimento da economia na virada de um ano para o outro têm se mostrado muito mais otimistas do que os resultados em si do PIB quando são consolidados ao final do período.

O ano de 2019, que terá seu desempenho econômico apresentado no dia 4 de março pelo IBGE, certamente se somará aos exemplos de como a sina do brasileiro tem sido a da frustração.

Ao final de 2018, a perspectiva para 2019 era de alta no PIB de 2,5%, segundo o Boletim Focus, do Banco Central. Já o Índice de Atividade Regional (IBCR), também do BC e considerado uma prévia da atividade econômica, indica que o crescimento será de tímido 0,9%. Para o Espírito Santo, pelo IBCR, haverá retração de 1,3%, aliás, o pior desempenho do Brasil entre os Estados analisados. O dado é bem diferente da alta de 1,8% projetada pelo Santander.

A virada 2019-2020, especialmente no pós aprovação da reforma da Previdência, não foi diferente em relação às apostas de que o momento era de deixar a crise para trás, avançar com as reformas e finalmente crescer.

Para a economia brasileira surgiram estimativas que vão dos 2% aos 3% de melhora. Enquanto que para a capixaba a oscilação varia de 1,3% a 5,2%, conforme a Tendências e a LCA Consultores, respectivamente.

Acontece que, neste ano, o banho de água fria quanto ao desempenho da economia parece ter chegado mais cedo. A demora da reação da atividade produtiva, o avanço do coronavírus no mundo e a instabilidade política no país, na maioria das vezes fabricada por quem está no poder, já começam a mexer com a confiança de consumidores e investidores e dão sinais de que os números podem sofrer uma revisão mais acentuada do que a usual para esse período.

Sobre como a economia capixaba deve ser comportar no decorrer do ano há visões diferentes. Entre especialistas ouvidos pela coluna há quem acredite que os números ruins do Estado não refletem o nosso real desempenho.

“É preciso ter cautela com o PIB do ES. Os dados negativos são referentes aos segmentos de petróleo, minério, celulose e siderurgia. Mas o miolo da economia capixaba é inelástico em relação a esses setores. Ou seja, eles não rebatem no comércio, nos serviços e no consumo”, argumentou o economista Orlando Caliman.

A economista Arilda Teixeira tem interpretação diferente. Ela considera que os dados microeconômicos ainda estão muito ruins, como os do mercado de trabalho e na relação de competitividade entre Estados. 

Arilda Teixeira

Economista e professora da Fucape

"Quando um mercado tem sua economia sólida, o resultado positivo se sobrepõe ao negativo e não é isso que estamos vendo"

Mesmo sem ter um olhar pessimista em relação aos dados locais, Caliman alerta que os efeitos do coronavírus na economia do Espírito Santo podem ser maiores do que no âmbito nacional. “Em termos de Estado, somos a economia mais aberta do país e temos a China como nosso maior comprador.”

Os efeitos oriundos da Ásia e de outras partes do mundo retardam um crescimento que já vem a passos lentos. Como o ambiente de negócios funciona sob a formação de expectativas em relação ao futuro, em um momento em que sobram incertezas e dúvidas, mais uma vez a tendência é que a economia demore a reagir e que tenhamos novamente um ano de projeções frustradas.

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