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O que os planos da Petrobras reservam para o ES

Estatal deverá focar em investimentos no Litoral Sul capixaba

Publicado em 27/09/2019 às 06h00
Sede da Petrobras em Vitória, Espírito Santo. Crédito: Vitor Jubini
Sede da Petrobras em Vitória, Espírito Santo. Crédito: Vitor Jubini

A atualização da “Visão, do Propósito e das Estratégias para o Novo Plano 2020-2024”, divulgada ontem pela Petrobras, traz algumas diretrizes que a companhia planeja para o futuro. Nela, a estatal reforça o seu foco no segmento de exploração e produção (E&P), com atenção maior para águas profundas e ultraprofundas, e oficializa a decisão de “sair integralmente da distribuição e do transporte de gás”, além de anunciar que pretende deixar os “negócios de fertilizantes, distribuição de GLP e de biodiesel”.

Mas, na prática, o que isso significa para as atividades e para os projetos que a petrolífera tem no Espírito Santo? Por mais que o plano de negócios ainda esteja sendo elaborado, em uma primeira análise, fontes ouvidas pela coluna avaliam que o novo momento vivido pela Petrobras não irá trazer prejuízos para o Espírito Santo. Pelo contrário, pode representar oportunidades de mais negócios. Não necessariamente todos vindos da companhia.

Ao direcionar suas energias e investimentos para o E&P, a expectativa que se tem é que a empresa, comandada por Roberto Castello Branco, mantenha o compromisso de instalar, em 2021, uma plataforma no Litoral Sul capixaba, com o projeto Integrado Parque das Baleias. Essa é a região produtora do pré-sal no Espírito Santo. Portanto, é onde a estatal aposta suas fichas, de modo a aliar produtividade e rentabilidade.

Agora, se de um lado o Litoral Sul deve continuar recebendo a atenção e os recursos da petroleira, do outro, o Litoral Norte, onde estão campos como os de Golfinho, Camarupim, Camarupim Norte, Peroá e Cangoá, sai do escopo principal da Petrobras. “Como ela não quer focar em águas rasas, significa que pode abrir mão desses campos. Aí, há uma janela para novos players”, diz um profissional ligado à companhia comparando ao que já vem acontecendo no segmento onshore (terrestre).

Segundo essa mesma fonte, pode acontecer algo parecido com o que ocorreu em Jubarte, no começo da sua exploração, nos anos 2000. No início, a unidade de operações de Campos (UO-BC) era a responsável por esse ativo, mas como na época a equipe não deu muita bola para ele, já que tinha que cuidar de outras descobertas, como de Marlim, Roncador e Albacora, o campo ficou sob a responsabilidade do Espírito Santo.

“Para eles (do Rio), no primeiro momento Jubarte não tinha muita importância porque não viam um grande potencial de produção. Mas, para o Espírito Santo, era como ouro. Dedicamos esforços e alcançamos excelentes resultados. Então, pode acontecer algo assim com os ativos de águas rasas. A Petrobras pode vender ou buscar parceiros e aí o Litoral Norte pode começar a ser visto sob um novo olhar”, pondera o especialista.

Áreas da Petrobras que hoje estão na fase exploratória, com os campos dos Cachorros, Doces e Deuses, também têm chance de serem vendidas. “Se nem nos tempos de vacas gordas a Petrobras desenvolveu esses campos, hoje, com a crise, é que isso não deve acontecer. Então, eles podem virar ativos interessantes para outras empresas”, afirma um conhecedor do segmento.

Na área de gás, por mais que a estatal vá sair da distribuição e do transporte, ela frisa em seu comunicado que quer “atuar de forma competitiva na comercialização do gás próprio”. A leitura dessa combinação é de que a Petrobras não deve abrir mão das suas unidades de tratamento de gás no Estado, a de Cacimbas (UTGC), em Linhares, e a UTG Sul, em Anchieta.

“A empresa fala muito em maximizar a rentabilidade do gás próprio, ou seja, entendo que ela não vai mais ficar comprando o gás de terceiros. Assim, se ela quer aumentar a rentabilidade, ela vai precisar das unidades de tratamento. Até porque parte do gás produzido no Parque das Baleias é processada na UTG Sul e parte na UTGC”, observa um ex-funcionário da empresa.

Fato é que há tempos a Petrobras perdeu as condições de jogar em todas as frentes. A capacidade de investimentos da estatal foi muito reduzida e, até que ela tenha condições de adquirir musculatura, focar seus esforços para o que sabe fazer de melhor, que é a área de E&P, é o caminho mais inteligente e estratégico. Todo esse redesenho não tende a ser bom apenas para a empresa e seus acionistas, mas também para o Estado que poderá ser alvo de outros investidores e, assim, ver a sua indústria de óleo e gás deslanchar.

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