A escolha de Bruno Funchal para o cargo de secretário do Tesouro Nacional, conforme foi anunciado na segunda-feira (15) pelo Ministério da Economia, teve uma boa repercussão entre especialistas em contas públicas, servidores do órgão federal, economistas e analistas do mercado.
O ex-secretário da Fazenda do Espírito Santo chega ao cargo com muitos desafios, sendo substituir Mansueto de Almeida - uma das maiores referências do Brasil em contas públicas - e colocar o país na rota do equilíbrio fiscal dois dos maiores deles. Para tratar um pouco desse cenário e de como Funchal conquistou a confiança do ministro da Economia, Paulo Guedes, a coluna vai dividir o tema em três textos.
O primeiro deles, que você lê mais abaixo, vai abordar o perfil do economista nascido no Rio de Janeiro, mas com uma importante trajetória profissional no Espírito Santo. O segundo conteúdo, ainda a ser publicado, vai debater como o fato de o Estado ter se tornado uma referência de equilíbrio fiscal ajudou a projetar o nome de Bruno ao cenário nacional. E, por fim, na terceira publicação, a coluna elenca os desafios que o novo secretário do Tesouro terá de encarar.
PARTE I - O PERFIL DE FUNCHAL
O ponto que destaco hoje é o perfil do economista Bruno Funchal, que assumirá o cargo de secretário do Tesouro Nacional definitivamente em 31 de julho. Tanto o currículo quanto a avaliação feita por diversas fontes ouvidas pela coluna vão na direção de que Funchal preenche todos os atributos técnicos para a função. Não é à toa que tão logo a saída de Mansueto foi tornada pública, o nome de Funchal já foi confirmado pelo Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes.
Pós-doutor pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada e professor da Fucape, ele acumula experiência na iniciativa privada e pública. Em 2017 e 2018, foi secretário da Fazenda do Espírito Santo e um dos responsáveis pelos bons resultados fiscais dos últimos anos, entre eles a conquista da Nota A pelo Estado, quando em 2018 foi o único ente da federação a receber o selo máximo em capacidade de pagamento do Tesouro Nacional.
Além do histórico de compromisso com a austeridade fiscal, Funchal, que está na equipe econômica desde o início do governo de Jair Bolsonaro, foi ganhando a simpatia de Guedes especialmente por suas participações na elaboração do novo Pacto Federativo e, nos últimos meses, nas articulações da proposta de socorro a Estados e municípios em decorrência da pandemia do novo coronavírus.
Para fontes que já trabalharam com Funchal, as qualidades do economista vão além do conhecimento técnico. É considerado por colegas e profissionais que foram subordinados a ele como uma pessoa de fácil convivência e com uma grande capacidade de adaptação.
"O Tesouro vai estar em excelentes mãos. Ele é muito inteligente, dedicado e muito aberto a ouvir as pessoas. Gosta do compartilhamento de ideias e estimula o debate. Além de ser uma pessoa muita calma e centrada. É um profissional raro"
Outra pessoa que trabalhou com Funchal durante a sua passagem pelo governo do Estado lembrou que, ao assumir o comando da Sefaz, ele se integrou muito rapidamente à equipe e aos processos. “Apesar da sua formação na iniciativa privada, quando ele chegou na secretaria, em pouco tempo assimilou o funcionamento do órgão e construiu uma boa relação com o time de servidores e com diferentes segmentos e Poderes. Ele sempre teve facilidade de aprender e de se colocar à disposição”, contou uma ex-colega.
Outra característica de Bruno Funchal e que se assemelha ao perfil do seu antecessor Mansueto de Almeida é a serenidade e a ausência de vaidade. Uma fonte que trabalhou muito próxima a ele comentou que o economista não puxa o protagonismo para si e é um gestor que valoriza as pessoas da equipe. “Ele não é centralizador. Delega muito e dá voz para quem o cerca", elogiou.
Para alguns analistas, as características técnicas e comportamentais de Funchal são muito adequadas para a função. Ter um nome qualificado e que não gere rompantes, inclusive na forma de lidar e se comunicar entre membros de dentro e fora do governo, vai contribuir para o novo secretário do Tesouro Nacional colher bons resultados, especialmente em um momento tão delicado como o que o Brasil vive.
Como alfinetou uma fonte: “De pólvora já basta a que o presidente Jair Bolsonaro coloca todos os dias no país. Que bom que vamos ter uma pessoa com perfil técnico, conciliador e agregador.”