Com a vitória de Biden sobre Trump para o comando da Casa Branca, considera que a relação Brasil x EUA pode ser prejudicada, uma vez que o governo brasileiro demonstrou publicamente a preferência pela vitória do ex-presidente Trump?
O que o senhor apontou é que a relação histórica EUA x Brasil pesa mais do que um comportamento pontual do atual governo. Avalia que o Brasil deva ter esse mesmo olhar e siga na mesma intenção a partir de agora, que é reforçar relações?
Um tema sensível na relação Brasil x EUA é a questão ambiental. Em alguns momentos Joe Biden fez críticas ao Brasil em relação à condução das políticas ambientais. Como deve ficar essa relação? Os EUA podem vir a tomar alguma medida de restrição econômica, por exemplo, diante da forma como o governo brasileiro tem se posicionado na área ambiental?
Então, por enquanto, o Brasil não deve sofrer nenhuma sanção comercial ou sofrer alguma penalidade. Os EUA vão apostar no diálogo nesse primeiro momento?
O Brasil e o Espírito Santo são importantes parceiros comerciais dos EUA. Por exemplo, os EUA é o principal destino das exportações capixabas, com destaque para celulose, café mármore e granito, aço. A importação de produtos americanos pelos portos capixabas também é relevante, enfim, a relação comercial é sólida. Acredita que essa relação pode ser intensificada? Que tipos de ações podem ser realizadas sob a administração Biden?
Então, além das relações de comércio exterior, o senhor avalia que os laços podem se estreitar mais com a chegada de empresas americanas no ES?
Essa aproximação com governos estaduais e representantes da sociedade civil organizada é uma ação que já vinha acontecendo ou ela está sendo fortalecida no governo Biden?
O memorando citado pelo senhor define áreas para serem trabalhadas em conjunto? Já tem isso definido?
Trump ao longo da sua gestão adotou diversas medidas protecionistas, algumas delas que trouxeram impactos para o Brasil e para o Espírito Santo, como foi o caso de restrições para o aço e o alumínio. Biden deve seguir uma postura semelhante? O que devemos esperar nesse aspecto?
Alguns especialistas consideram que o Brasil sede muito em relação aos EUA e não tem uma troca na mesma proporção. Avalia que exista uma relação desigual?
Tem algum ponto que o senhor acredita que a relação Brasil x EUA tende a se intensificar em 2021?
O Brasil tem desafios enormes relacionados às contas públicas, ao sistema tributário, ao custo Brasil, à elevada burocracia. As empresas americanas relatam essas dificuldades, isso chega de alguma forma para vocês? Avalia que essas questões são desafios que precisam ser superados pelo Brasil?
Considera que representeantes do Itamaraty vêm cometendo excessos, adotando posturas incompatíveis com o que é esperado de autoridades responsáveis pelas relações internacionais?
Como os EUA vêm se posicionando em relação à pandemia e olhando como o Brasil lida com a doença. O Brasil tem sido muito criticado pela forma de enfrentamento da Covid-19. Então, gostaria de saber como está o contexto americano e o olhar do país em relação ao Brasil?
Quem é Jesse Levinson
Jesse Levinson é o atual chefe da seção política e econômica do Consulado dos EUA no Rio de Janeiro. Ele entrou para o serviço diplomático do Departamento de Estado Norte-Americano em 2002 como cônsul para assuntos econômicos. Já serviu em Islamabad, Jerusalém, e em Tikrit, no Iraque, onde liderou uma equipe local de reconstrução. Posteriormente, serviu em Washington D.C e em São Paulo. Além disso, já fez parte da Missão Permanente dos EUA junto às Nações Unidas, e mais recentemente, atuou como chefe de política interna da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá.
Levinson completou seu bacharelado na Escola de Serviço Estrangeiro de Georgetown University, e possui mestrado em Administração Governamental pela Harvard Kennedy School of Government e em estudos estratégicos pelo Army War College dos EUA. Antes de ingressar no Departamento de Estado, foi bolsista Fulbright na Universidade Federal do Ceará. Nascido em Boston, fala português, espanhol e árabe.