O pacote de US$ 2 trilhões de medidas sobre mudanças climáticas e economia verde, lançado pelo novo presidente dos EUA, considera prioridade a proteção da floresta amazônica. Biden afirmou que os Estados Unidos vão exercer a sua liderança para incentivar a redução das emissões de carbono e a transição para energias renováveis. Sendo um ecossistema crucial para absorver emissões de carbono, a Amazônia está no radar.
É uma janela de oportunidade para o Brasil. O novo governo americano alinha-se aos novos consensos que enxergam a natureza preservada como criadora de valor econômico e centro de produção. O Brasil é uma potência ambiental, com a sua cadeia de biodiversidade e sua vocação para energias renováveis. Empresas e fundos internacionais de investimentos produtivos sustentáveis estão prontos para investir aqui.
Além da potencial inclusão do Brasil no radar da agenda do desenvolvimento sustentável, as opções políticas e sociais de Biden ajudam a jogar luz e exemplos para os brasileiros. É como se ele dissesse: “Yes, you can”. Na política, ele costurou uma intrincada aliança democrática com opção pelo centro do espectro político. Ganhou a eleição. E mira agora fazer o mesmo na sua proposta de união dos americanos pelo caminho do centro. União para combater o racismo e as desigualdades sociais. Tudo a ver conosco.
Joe Biden é um político de perfil simples, conciliador e do diálogo. É radicalmente centrista. Perfil forjado no ambiente cultural do seu pequeno estado de origem, Delaware. Com longa passagem pelo senado americano, Biden acumulou experiência para a tarefa que tem à sua frente: reconstruir a unidade de uma sociedade profundamente dividida e recuperar a capacidade dos EUA para co-liderar a pacificação de um mundo multilateral. É hora do diálogo, da diplomacia e da formação de parcerias. Os EUA perderam muito do seu “soft power”.
É neste contexto que o Brasil terá oportunidades. Mas precisa construir pontes com a nova coalizão de poder dos EUA. O governo Bolsonaro vai precisar repaginar a condução da sua desastrada política externa. É uma tarefa que vai requerer grande esforço, do lado brasileiro, de experientes quadros do Itamaraty e de colaboração da diplomacia empresarial, política e social. O ex-presidente Michel Temer, que foi contemporâneo de Joe Biden quando os dois eram, respectivamente, vice-presidentes do Brasil e dos EUA, tem como contribuir para uma reabertura do diálogo.
O Brasil se encaixa na nova agenda. Os interesses dos dois países voltam a se cruzar. O Congresso Nacional, a mídia e a emergente coalizão da sociedade civil pelo desenvolvimento sustentável, precisam dar o primeiro passo para convencer o governo Bolsonaro a repaginar a política externa e agir enquanto é tempo. A janela de oportunidade pode se fechar. Não podemos perder, mais uma vez, o bonde da História