Há 32 anos no mercado, o Grupo Guidoni - com atuação no segmento de rochas ornamentais - tem planos ambiciosos de crescimento e já começou a colocá-los em prática. A companhia capixaba está investindo na sua primeira indústria nos Estados Unidos. Com um aporte da ordem de US$ 100 milhões, a empresa está implantando uma fábrica, na Geórgia, em uma área de 250.000 m², sendo 70.000 m² de galpão.
A planta industrial, desenvolvida em quatro fases, vai ter capacidade de produzir 48 mil chapas de quartzo por mês, com dois e três centímetros de espessura, em quatro linhas de produção. A primeira etapa do projeto já foi iniciada, conforme contou à coluna o CEO do grupo, Rafael Guidoni. De acordo com ele, a previsão é que essa primeira fase - que demandou investimentos de US$ 36 milhões - seja concluída em junho de 2021. A planta industrial será finalizada em cerca de 5 anos e será responsável pela criação de 480 empregos diretos.
A construção da unidade americana começou no ano passado, mas desde 2016 o grupo tem fábricas fora do Brasil, como na Itália e na Espanha. Além disso, a companhia está presente, por meio dos seus produtos, em mais de 70 países. No Brasil, é a empresa líder em exportação de rochas, tem um complexo industrial em São Domingos do Norte, no Noroeste capixaba, além de operações em Nova Venécia, Marilândia, Barra de São Francisco, Ecoporanga e Colatina. São mais de 40 jazidas próprias para a extração de rochas no país.
Rafael Guidoni contou que, de 2013 a 2015, a companhia passou por um processo de reestruturação e definição de novas estratégias para o negócio.
"O grupo decidiu não ser só mais uma empresa de rocha ornamental. Começamos a expandir nossas jazidas no Brasil e vimos que era necessário ir para outros tipos de revestimentos que já estavam ganhando parte importante do mercado"
Esse novo nicho ao qual Guidoni se refere é o de rochas artificiais, com a produção do chamado novo quartzo. O produto será, inclusive, um dos carros-chefe da fábrica nos Estados Unidos.
"Resolvemos investir numa planta de rochas sintéticas no Brasil e, para acelerar essa curva, também adquirimos uma empresa no Noroeste da Espanha que fabricava aglomerado de quartzo, já tinha expertise e estava desde 1993 no mercado. Esse foi um passo importante. Depois fomos para a Itália e agora estamos fazendo esse investimento nos Estados Unidos, inclusive, nessa mesma unidade temos um centro logístico, o que corrobora para essa necessidade de expandir os canais de distribuição, de estar mais próximo da demanda."
PANDEMIA E PERSPECTIVAS PARA 2021
Para o empresário, o ano de 2020 foi desafiador, mas chega ao final com resultados melhores do que os imaginados quando começou a pandemia do novo coronavírus, em março. Ele lembra que o primeiro momento trouxe muitas incertezas, mas que, a partir do segundo trimestre, a demanda por revestimentos voltou a se fortalecer.
De agora em diante, o grupo acredita que o mercado tende a se aquecer e que as perspectivas são boas para 2021. Rafael Guidoni cita que já há pedidos e contratos fechados até março. Tanto é que a empresa prevê ampliar seu quadro profissional em 120 colaboradores. A companhia projeta para o próximo ano um crescimento de 20% em relação ao desempenho que registrou em 2019.
Em 2021, o Capex (despesas de capital ou investimento em bens de capital) programado pela Guidoni é de R$ 48 milhões. Está prevista a implantação de novas lavras, pesquisas de desenvolvimento de novas jazidas e a entrada em funcionamento de jazidas que já passaram por estudos.
Outro foco do grupo, segundo Rafael Guidoni, são os investimentos em inovação e tecnologia. Ele conta que essa é uma área importante para a empresa agregar valor aos seus produtos, ganhar eficiência operacional e avançar na segurança.
PERFIL
- Nome: Rafael Guidoni
- Empresa: Grupo Guidoni
- Cargo: Diretor-presidente
- No mercado: há 32 anos
- Negócio: Revestimentos, rochas ornamentais
- Atuação: Brasil, Espanha, Itália e Estados Unidos com operação industrial. Além de estar presente com os seus produtos em mais de 70 países
- Funcionários: 1.150 trabalhadores diretamente
JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR
Economia:
Motor da economia via construção, mineração.
Pandemia do coronavírus:
Em março causou um grande susto. Foi um salve-se quem puder. Mas a partir do segundo trimestre, do ponto de vista econômico, surpreendeu e voltamos a ter a demanda por produtos.
Pedra no sapato:
Logística deficitária e informalidade.
Tenho vontade de fechar as portas quando:
O que me tira do sério é a questão da irregularidade, da concorrência desleal.
Solto fogos quando:
A estrutura organizacional funciona de maneira coesa e eficiente.
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria...:
A forma como as fiscalizações e regulamentações são cobradas de acordo com a empresa. Acredito que é preciso haver equidade das ações, das exigências operacionais.
Minha empresa precisa evoluir:
No canal de vendas e marketing.
Se começasse um novo negócio seria...:
Começaria de novo na área de revestimentos. Mas se tivesse que ser outro negócio, investiria em fontes alternativas de minerais nobres a partir de coprodutos da mineração.
Futuro:
Enxergo evolução na cadeia de fornecimento do nosso produto e um movimento de multinacionalização ainda mais forte.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro:
Abílio Diniz. Ele viveu momentos de altos e baixos. Conflitos familiares e conflitos com acionistas e, mesmo assim, teve habilidade e resiliência para reestruturar seu negócio algumas vezes. Ele sabe jogar na bonança e em situações adversas.