Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Economia

O déjà vu da Previdência Social

Os acontecimentos nestes três primeiros meses, fazem lembrar as expectativas que foram criadas quando Temer assumiu o comando do país após o impeachment de Dilma Rousseff

Publicado em 24 de Março de 2019 às 14:05

Públicado em 

24 mar 2019 às 14:05
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas Beatriz Seixas
Previdência Social Crédito: Divulgação

Os episódios da última semana que giraram em torno da reforma da Previdência começam a despertar na sociedade um sentimento do qual o país já conhece, o da descrença. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seus aliados estão sendo capazes de criar situações que sabotam seus próprios projetos, aliás, que ameaçam o principal e mais urgente deles: o de uma nova aposentadoria.

As indiretas dadas pelos seus filhos por meio das redes sociais, como as disparadas por Carlos Bolsonaro contra o presidente da Câmara Rodrigo Maia; a fala de pessoas alinhadas com o governo de que não existe déficit da Previdência, como fez o líder do PSL no Senado Major Olimpio; e a falta de convicção de Bolsonaro, ao dizer que, “no fundo, não gostaria de fazer a reforma”, além de já ter admitido que alguns pontos podem vir a ser alterados, a exemplo da idade mínima para as mulheres, demonstram que o foco do seu time tem sido bem diferente daquele que o país realmente precisa.

A dificuldade de Bolsonaro de organizar uma base, o brando projeto de reforma para os militares, a prisão do ex-presidente Michel Temer e o intenso curto-circuito com Maia – que já declarou que o governo tem que parar de “terceirizar a articulação” política com o Congresso, reforçando que essa responsabilidade não vai carregar sozinho – só aumentam a instabilidade para esse processo que, por si só, já é bem desgastante e impopular.

Antes mesmo de chegar aos 100 primeiros dias de governo, período que geralmente é considerado como a lua-de-mel com os eleitores, parlamentares e mercado, o presidente está conseguindo azedar sua relação nas diferentes esferas trazendo incredulidade para a capacidade da reforma de se viabilizar neste ano. A pesquisa do Ibope, que mostrou a queda de 15 pontos na avaliação positiva do governo de Bolsonaro, é um indicativo da frustração com a sua maneira de governar.

O sinal amarelo já acendeu entre os investidores. Tanto é que a Bolsa de Valores reagiu. Na mesma semana que atingiu os 100 mil pontos, fechou a sexta-feira no patamar dos 93 mil, após as repercussões sobre o andar de lado da reforma. Desde a eleição de Bolsonaro, o mercado deposita todas as suas fichas no novo presidente. Mas pode custar ao governo a mudança de ânimo e o fim do apoio desse grupo se Bolsonaro continuar insistindo em conduzir o país de forma amadora.

Os acontecimentos nestes três primeiros meses, resultando na falta de fôlego para o projeto que vai reduzir o rombo fiscal, fazem lembrar as expectativas que foram criadas quando Temer assumiu o comando do país após o impeachment de Dilma Rousseff.

Naquela ocasião, no primeiro momento, todos acreditavam que a reforma da Previdência seria bem-sucedida. Mas quando vieram à tona as denúncias de Joesley Batista, dono da JBS, contra Temer, a votação e as discussões sobre a reforma foram enterradas de vez.

Agora, não pesa contra Bolsonaro acusações desse tipo e com tamanha gravidade. Mas a crise que se intensificou entre o Executivo e o Legislativo – ontem o festival de atritos entre o presidente e Rodrigo Maia parecia não ter fim –, já está sendo vista como uma ameaça real para o futuro da reforma. Falar de déjà vu da Previdência não seria exagero.

O quadro preocupa (e muito) analistas. Mas deveria preocupar ainda mais o presidente Jair Bolsonaro. Sem a mudança de rumo dos explosivos e crescentes gastos com as aposentadorias, o país não terá a menor chance de voltar a crescer.

Isso significa que os quase 13 milhões de desempregados vão continuar fora do mercado de trabalho, o poder de consumo das famílias vai reduzir mais, as empresas não vão produzir e o ciclo vicioso só vai piorar. Sem contar, que logo não haverá dinheiro para pagar os aposentados.

Minar a reforma da Previdência, é minar a capacidade de governar o Brasil. Se isso não está claro para a equipe de governo e para parlamentares, está na hora de acordar para o fato. Sem uma mudança na direção da economia, não haverá tuítes e lives pelo Facebook que serão capazes de conter a insatisfação da população.

Beatriz Seixas

Beatriz Seixas Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Flávio Bolsonaro na Globo: o que disse o candidato à Presidência na 2ª entrevista à emissora
Parte de parede se desprende em escada do Shopping Vitória
Parte de parede se desprende em escada de shopping no ES
Moradores da Grande Vitória promovem "panelaço" durante sabatina de Flávio Bolsonaro na TV Globo.
Panelaços são registrados em bairros da Grande Vitória durante sabatina de Flávio Bolsonaro

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados