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Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Número de investidores do ES na Bolsa de Valores dobra em 1 ano

Mesmo com a grande instabilidade causada pela pandemia da Covid-19, quantidade de pessoas investindo em renda variável chega a quase 65 mil no Estado. Cenário também rendeu bons resultados para empresas do setor

Publicado em 25/12/2020 às 04h00
Atualizado em 25/12/2020 às 04h00
Pandemia do novo coronavírus causou grande volatilidade nos mercados financeiros em 2020
Pandemia do novo coronavírus causou grande volatilidade nos mercados financeiros em 2020. Crédito: Btaskinkaya/Pixabay

2020 foi um ano de grande instabilidade e volatilidade no mercado financeiro. Mas, mesmo com o susto que investidores tomaram a partir de março - quando bolsas de valores no mundo todo começaram a despencar em função da pandemia do novo coronavírus -, os investimentos em renda variável não foram ignorados. Aliás, cresceu o interesse de pessoas que migraram para esse perfil de aplicação.

No Espírito Santo, a quantidade de investidores pessoas físicas na B3 dobrou em quase um ano. Em dezembro de 2019 eram 32.469 aplicadores, já no final de novembro de 2020 são 64.908. Do total, 49.077 são homens e 15.831 mulheres. Juntos eles aplicam R$ 5,22 bilhões, R$ 1,8 bi a mais do que no ano passado. Ou seja, o saldo médio por pessoa no Estado é R$ 84,7 mil.

Ainda de acordo com dados da B3, os valores aplicados pelos capixabas representam 1,23% de todo o investimento feito no país por meio da Bolsa de Valores. Assim como no Espírito Santo, a renda variável também caiu no gosto de muitos brasileiros. Em 2020, são quase 1,5 milhão de investidores a mais nesse tipo de aplicação. Com isso, o valor direcionado para as ações e outros produtos oferecidos pela B3 saltou de R$ 342,09 bilhões, em dezembro de 2019, para atuais R$ 424,43 bilhões.

Assim como a bolsa brasileira vem contabilizando o avanço dos números, empresas que atuam nesse segmento também têm se beneficiado do apetite do investidor pelo risco. Na Valor Investimentos, por exemplo, no início do ano eram 5 mil clientes com aplicações na renda variável,  agora, são 8.500.

Considerando o mercado de ações e outros produtos oferecidos, a empresa também registra o crescimento dos valores que têm sob gestão, bem como a ampliação do seu quadro de pessoal.  Em 2019, a corretora tinha sob custódia R$ 3,8 bilhões e fecha 2020 com R$ 5,5 bi. Já o time saltou de 100 profissionais para 170.

Para o sócio da empresa Paulo Henrique Correa, esse movimento está relacionado a alguns fatores entre eles a baixa taxa de juros que, em 2020, atingiu a sua mínima histórica, de 2% ao ano.

Paulo Henrique Correa cita a baixa taxa de juros como um dos fatores que estimularam os investidores a migrar para a renda variável
Paulo Henrique Correa cita a baixa taxa de juros como um dos fatores que estimularam os investidores a migrar para a renda variável. Crédito: Valor Investimentos/Divulgação

Paulo Henrique Correa

Economista e sócio da Valor Investimentos

"A tradicional renda fixa, que acostumava remunerar no Brasil, acabou pagando muito pouco e os investidores precisaram tomar um pouco mais de risco para tentar rentabilizar seus portfólios e de fato ganhar rentabilidade acima da inflação, o que chamamos de rentabilidade real. Vimos vários investidores migrando seus investimentos para a Bolsa de Valores, buscando um pouco mais de risco com fundos imobiliários, fundos multimercados. Isso acabou impulsionando esses ativos"

A rápida adaptação ao novo cenário também pesou favoravelmente ao mercado de investimentos independentes. Na visão de Correa, ao contrário de muitos bancos, que têm uma estrutura mais engessada e a tomada de decisões pode levar mais tempo, as corretoras conseguiram criar saídas rápidas para as novas exigências e cumprimentos aos protocolos sanitários. Ele conta que, no caso da Valor, os profissionais passaram a trabalhar de casa, mas continuaram próximos aos clientes, dando informações sobre o que estava acontecendo no Brasil e no mundo.

“Durante a pandemia, nosso negócio acabou sendo bastante beneficiado. Investidores que eventualmente estavam investindo nos bancões migraram para quem estava mais próximo do cliente. Foi um crescimento bastante interessante. A gente chega ao final do ano com um crescimento de dois dígitos no nosso resultado, lucro, e estamos muito animados para 2021."

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