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Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Não congelar salário de servidor é desprezar sacrifícios da sociedade

Bolsonaro vai decidir se veta trecho do projeto de socorro a Estados e municípios que define o congelamento dos salários do funcionalismo como contrapartida para ajudar no combate ao coronavírus

Publicado em 12/05/2020 às 05h00
Atualizado em 12/05/2020 às 05h02
Dinheiro
Dinheiro. Crédito: Pixabay

congelamento dos salários dos servidores por 18 meses como contrapartida para que o governo federal socorra Estados e municípios para o enfrentamento da pandemia do coronavírus é uma medida certamente antipática, mas é uma proposta mais do que justificável, é necessária.

O momento é excepcional e exige ações excepcionais. Fato é que ninguém quer perder direitos, ter salários reduzidos e a jornada de trabalho alterada, ver a receita cair. No caso dos servidores, não ter reajuste até 2021.

Ninguém em sã consciência quer sair na desvantagem. Faz parte da essência do ser humano buscar o melhor, querer o melhor. Mas, neste momento, não trata-se de querer, trata-se de sobreviver e de dar sobrevida às debilitadas contas públicas do país. Trata-se de dividir responsabilidades e sacrifícios.

Até agora os sacrifícios não chegaram ao funcionalismo público. Mas já bateram à porta de trabalhadores que perderam seus empregos, de profissionais que tiveram suas jornadas reduzidas em até 75% e viram seus salários encolherem, de informais que deixaram de ter renda e aguardam em filas gigantescas para garantir o benefício de R$ 600, de empresas que não veem qualquer dinheiro entrar, mas muitas contas a pagar.

Para quem não faz parte de um grupo que historicamente é privilegiado, as contrapartidas já chegaram há muito tempo. Para quem não tem a mesma força para pressionar, a conta do esforço se faz presente não é de hoje, e ela é cara! Para quem não tem seus interesses protegidos por grupos organizados a sensação é de abandono. Aliás, é também de frustração.

Até quando a elite do funcionalismo - e aqui destaco juízes, promotores, políticos e militares do alto escalão - vai permanecer intacta? Se nem em um dos momentos mais críticos da história, diante da pandemia da Covid-19, o país consegue democratizar os esforços.

Ao que tudo indica, o presidente Jair Bolsonaro vai vetar o trecho do projeto de socorro aos Estados e municípios que libera o reajuste salarial para algumas categorias de servidores - resultado de um forte apelo do ministro Paulo Guedes. Isso poderia até ser um alento de que os sacrifícios finalmente vão ser compartilhados. Mas é ilusório achar que, no Congresso, esses vetos permanecerão.

Bolsonaro não trabalhou para isso junto à sua base no Congresso e parlamentares já declararam explicitamente serem favoráveis à proteção de algumas categorias. Resultado: a economia inicialmente prevista de R$ 130 bilhões para União, Estados e municípios, com o congelamento integral, tende a se transformar em apenas R$ 43 bilhões.

Surpresa? Nenhuma! Surpreendente mesmo seria ter a contribuição de um grupo que há décadas não toma os mesmos remédios amargos que a maioria da sociedade.

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