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Empreendedores do ES

Na Lata: Pandemia vai mudar o perfil do imóvel dos sonhos

A coluna fez o tradicional jogo rápido com o empresário Celso Siqueira Junior e também bateu um papo com ele sobre o futuro do setor no pós-coronavírus

Publicado em 04 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

04 mai 2020 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Celso Siqueira Junior é sócio-proprietário da Lorenge
Celso Siqueira Junior é sócio-proprietário da Lorenge Crédito: Lorenge/Divulgação
Além da redução da demanda por produtos e serviços em vários setores e da crise que muitas empresas já estão vivendo, a pandemia do coronavírus traz um desafio extra para empresários e gestores: o de pensar em como será o seu negócio no pós-Covid-19. A necessidade de reinvenção já bateu, inclusive, à porta do segmento da construção civil.  
Para o sócio-proprietário da Lorenge Celso Siqueira Junior, a pandemia vai mudar o perfil do imóvel dos sonhos de muitos brasileiros. Segundo ele,  famílias já começaram a ter um olhar diferente sobre suas moradias. O fato de as pessoas estarem passando mais tempo em suas casas e apartamentos está transformando as prioridades  que elas têm em relação ao lar. 
"Ninguém conseguiu ainda fazer a leitura de como vai ser o novo amanhã, o novo normal. Mas o que posso te dizer é que vai ser diferente. Por isso, neste momento, estamos buscando fazer a interpretação do que o nosso consumidor vai querer, que tipo de imóvel ele vai querer morar"
Celso Siqueira Junior - sócio-proprietário da Lorenge
Siqueira observa que as inovações e novidades no ramo da construção civil sempre aconteceram, mas muitas delas vieram mais a conta-gotas. O empresário lembra das mudanças em relação ao fim da dependência de empregada, da valorização de varandas, dos espaços gourmets, dos condomínios que passaram a ter áreas que antes eram quase que "exclusivas" dos clubes,  apenas para citar algumas.
Para o futuro próximo, o empresário adianta algumas tendências que começou a perceber no mercado imobiliário. Ele comenta que o consumidor vai buscar um imóvel que ofereça um espaço para home office e também que tenha uma boa área de estar e uma cozinha grande. 
"O comprador não quer mais aquela cozinha pequena. Afinal, esse cômodo também está ligado a momentos de distração e bem-estar com a família. Outro ponto é que ele vai passar a valorizar mais um espaço em que possa trabalhar, mas sem a interferência das crianças, por exemplo. A verdade é que o imóvel mais do que nunca virou o casulo para muitas pessoas", opinou. 
Diante de tamanho desafio, Siqueira conta que as equipes da Lorenge - que está há 40 anos no mercado - já estão repensando os lançamentos que virão daqui para frente. Outra transformação é a compra on-line. De acordo com ele, esse já era um movimento que havia sido iniciado, mas de forma tímida. Agora, tudo indica que a pandemia do coronavírus vai potencializar as negociações pela internet.
"Estamos percebendo que 90% da negociação vai se dar pelo digital. O consumidor vai conhecer o imóvel por tour virtual, vai falar de preços e condições. A presença física vai acontecer, mas ficará para o último momento, quando ele estiver disposto a fechar o negócio", ponderou.
Além da percepção de mercado em meio à crise da Covid-19, Celso Siqueira participou da seção Na Lata, em que bateu um papo jogo rápido com a coluna. Confira.

PERFIL

  • Nome: Celso Siqueira Junior
  • Empresa: Lorenge S.A. Participações
  • Cargo: Sócio-proprietário
  • No mercado: Há 40 anos
  • Negócio: Incorporação imobiliária e construção civil
  • Atuação: Espírito Santo e Rio de Janeiro
  • Funcionários: 400

JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR

Economia:

Estávamos em rota de crescimento econômico e a pandemia deu uma desviada, mas voltaremos em breve

Coronavírus:

O impacto a curto prazo é avassalador. No médio e longo prazo, o mercado imobiliário sai fortalecido, pois é ativo real, e as pessoas conhecem e confiam.

Pedra no sapato:

Legislação trabalhista e tributária que jogam contra o crescimento econômico e a geração de emprego e renda.

Tenho vontade de fechar as portas quando:

A população perde a confiança no país e para de consumir, todo mundo sai perdendo, inclusive o governo.

Solto fogos quando:

Vejo iniciativas de menos Estado e mais iniciativa privada, mais eficiência e produtividade.

Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria:

A burocracia com relação aos cartórios e bancos financiadores, muito tempo e dinheiro perdidos por ineficiência.

Minha empresa precisa evoluir em:

Entender melhor o que os clientes desejam em termo de moradia e local de trabalho. Tudo está mudando, não podemos continuar repetindo o passado.

Se começasse um novo negócio seria:

O mesmo, construção e incorporação imobiliária.

Futuro:

O mundo será mais digital, assim, mais produtivo e eficiente. Seremos mais focados nos aspectos que realmente geram ganhos paras as pessoas e empresas.

Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro:

Rubens Menin, dono da MRV Engenharia. Ele soube fazer uma boa leitura de mercado e criou a maior construtora da América Latina atuando no setor de construção habitacional econômica.
Prédio na Enseada do Suá onde funcionará a sede administrativa da Codesa
Lorenge está no mercado capixaba há 40 anos Crédito: Reprodução/Google Earth

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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