Dois importantes produtos da pauta do comércio exterior capixaba - o minério de ferro e o petróleo - tiveram um desempenho ruim no primeiro semestre de 2020, na comparação com igual período de 2019, e foram os principais responsáveis por puxar para baixo os resultados das exportações. Ambos registraram uma retração superior a 40% e contribuíram para que as exportações gerais do Espírito Santo recuassem 27,9% no período.
Os dados são do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex). Ainda de acordo com a entidade, nos seis primeiros meses do ano, o minério - que representou 22% da pauta - sofreu um retração de 43% na venda para o exterior. Em 2019, foram exportados em receita (FOB) US$ 1,003 bilhão, já neste ano caiu para US$ 577,1 milhões. É o menor valor para o primeiro semestre dos últimos cinco anos.
Também teve influência negativa sobre o resultado das exportações gerais a venda de petróleo, que recuou 44%, saindo de US$ 510,3 milhões para US$ 284,3 milhões. A commodity representou, no período, 11% do que é exportado pelo Espírito Santo. Ambas mercadorias sofreram o impacto da queda na demanda mundial, provocada pela pandemia do novo coronavírus e pela crise internacional do preço do barril do petróleo.
Aliás, os reflexos da Covid-19 e da desaceleração da economia rebateram praticamente sobre toda a pauta exportadora capixaba. Com exceção dos tubos flexíveis de metais comuns, que tiveram alta de 156% na venda para outros países, os demais produtos que saem do Estado para o mercado internacional apresentaram um desempenho negativo, a exemplo de mármore e granito (-23%), ligas de aço (-56%), celulose (-9%), café em grãos (-3%), pimenta (-6%), entre outros.
No país, as exportações também registraram queda, mas menos acentuadas do que as do Espírito Santo. Nos seis primeiros meses de 2020, a retração nacional foi de 7,1% em relação ao igual período do ano anterior.
IMPORTAÇÕES DO ES AVANÇAM 9% NO PRIMEIRO SEMESTRE
Enquanto as exportações registraram neste ano um 1º semestre com pior desempenho do que no mesmo período do ano passado, as importações totalizaram US$ 3,1 bilhões e cresceram 9% até meados de 2020. Mas apesar do desempenho positivo, o mês de junho apresentou queda de 43% na comparação com maio de 2020. No Brasil, também houve retração de um mês para o outro, de -22%. Nos primeiros seis meses, o país contabilizou uma redução da receita das importações em 5,2%.
De acordo com o Sindiex, "os principais fatores que contribuíram com a queda foram os impactos da Covid-19 e a grande variação cambial apresentada no 1º semestre de 2020". O Espírito Santo não seguiu a mesma tendência porque, segundo a entidade, houve um elevado crescimento na importação de produtos para o setor offshore (tubos, válvulas, torneiras de ferro e aço). Nos seis primeiros meses a alta desses itens foi de 3.655%.
"Essa nova pauta foi responsável para manter o saldo positivo do Espírito Santo em 2020, mesmo com a queda de 50% nas importações de carvão mineral, principal insumo das indústrias siderúrgicas. Além disso, as aeronaves mantiveram a posição de destaque nas importações capixabas, apresentando de janeiro a junho deste ano crescimento de 91% em relação ao mesmo período de 2019", informou o Sindiex.