O interesse de fundos de investimentos em projetos imobiliários é crescente no país. Com a taxa Selic em um dos seus patamares mais baixos, a 2,75% ao ano, investidores têm buscado opções de aplicações além da renda fixa para melhorar a rentabilidade de seus portfólios, mas sem se expor tanto ao risco.
Não é à toa que, em 2020, os Fundos Imobiliários (FIIs) bateram recorde de cotistas no país, com 3,73 milhões, 1,78 milhão a mais do que em 2019, segundo dados da Economatica. Nesse cenário, a procura por projetos de loteamentos tem se destacado.
Douglas Vaz, diretor das empresas capixabas Vaz Desenvolvimento e Cristal Empreendimentos, com atuação no Espírito Santo, Rondônia e Mato Grosso, confirmou à coluna esse movimento. De acordo com ele, toda semana ele recebe propostas de fundos interessados em fechar negócio.
O empresário, que também é diretor de Desenvolvimentos Urbano do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Espírito Santo (Sinduscon), conta que desde março do ano passado, com a pandemia do novo coronavírus, a demanda no mercado por loteamentos disparou.
Ele cita que entre seus lotes a valorização média de um ano para o outro foi de 60%. Já entre os condomínios, há casos de alta de até 110%. Isso aconteceu porque a pandemia trouxe novos comportamentos e demandas dos consumidores, que passaram a valorizar mais espaços com áreas abertas e de lazer, além de privacidade.
"Toda semana converso com representantes de corretoras e fundos e recebo propostas. Apex, Valor, XP, vários já vieram até nós. Agora, estou numa conversa com um fundo do Rio de Janeiro e um de São Paulo. Esse último quer entrar no segmento econômico de loteamentos e tem interesse de empreendimentos no Mato Grosso e Rondônia."
Douglas Vaz, que já está nesse mercado há mais de 30 anos, pondera que os fundos estão em busca de empresas sólidas e com tradição. Para ele, como o segmento passou por momentos difíceis há alguns anos, quem foi capaz de se manter com bons projetos e com o caixa saudável tem recebido a atenção dos fundos.
"Lá atrás, muitas empresas saíram do mercado, não foram para frente, quebraram. Por isso, aquelas companhias que passaram pela crise e estão de pé têm recebido o reconhecimento do mercado e estão no radar desses investidores, que veem a nossa área como uma tendência de investimento"