A empresa capixaba Itapuã passou recentemente por uma grande reformulação e começou a atuar no e-commerce, com a venda de calçados para todo o Brasil. Com o novo modelo de negócio, a companhia transformou suas lojas físicas também em centros de distribuição.
A estratégia tem sido uma tendência nos últimos anos entre varejistas, mas ganhou fôlego em 2020 diante da pandemia do novo coronavírus, período em que a demanda pelas compras virtuais cresceu de forma expressiva e a movimentação de clientes nas unidades caiu em função das restrições sanitárias.
Companhias como Magazine Luiza, Vivara e Via Varejo, dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, também têm tirado vantagens do uso de suas lojas físicas como mini centros de distribuição.
No caso da tradicional marca capixaba de calçados, ela vai contar com o apoio das suas 77 lojas físicas espalhadas pelo Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
"Os processos logísticos atuais estão voltados para que cada uma das lojas seja um centro de distribuição com a integração total dos estoques, barateando os custos com frete"
Além de um frete mais baixo, especialistas destacam que o tempo de entrega nesse modelo de negócio tende a ser menor, o que passa a ser um diferencial na conversão de vendas. Mas ressaltam que, para a estratégia ser bem-sucedida, é preciso que os processos e as ferramentas utilizadas pelas empresas trabalhem de forma muito integrada e a gestão dos estoques seja eficiente.
INVESTIMENTO FUTURO
Mesmo com a opção pelo envio das mercadorias para os clientes a partir das lojas físicas, a Itapuã não descarta investir em um centro de distribuição. Questionado pela coluna se há planos para esse tipo de investimento, o diretor de Negócios da Itapuã, Thiago Cardeal, afirmou que tudo vai depender da resposta do mercado.
“Caso o volume cresça muito para além das regiões onde atuamos fisicamente, uma operação com localização estratégica não está descartada”, frisou o executivo.
APOSTA NO CARTÃO PRÓPRIO
Com as mudanças no modelo de negócio, a Itapuã aposta na expansão da venda por meio do cartão próprio. Atualmente, nas lojas físicas, eles representam 32% das operações.
“Há um grande contingente de consumidores que não podem e não querem ter um cartão de crédito. Por isso, os cartões próprios das lojas assumem um papel importante na economia e no acesso ao consumo das pessoas”, avalia Thiago Cardeal, diretor de Negócios da Itapuã, ao comentar que já nos primeiros dias de operação do e-commerce, as vendas com cartão próprio Itapuã representaram 50% do total.