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Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Governo do ES: expectativa X realidade

Pandemia do coronavírus mudou completamente o planejamento do governo do Estado para 2020

Publicado em 02/05/2020 às 23h59
Atualizado em 02/05/2020 às 23h59
Data: 14/12/2019 - ES - Vitória - O governador Renato Casagrande durante entrevista ao jornal A Gazeta
O governador Renato Casagrande prevê queda de R$ 3,4 bilhões na receita do ES em 2020. Crédito: Carlos Alberto Silva

Sabe aquela famosa expressão “expectativa X realidade”? Muito usada inclusive em memes na internet para mostrar, de um lado, uma situação, ou uma pessoa ou um comportamento que é muito bom e, de outro, algo que não é tão bem-sucedido assim?

De certa forma é isso o que está acontecendo agora com o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB). O socialista assumiu o Palácio Anchieta no ano passado e tinha uma perspectiva completamente diferente da que está tendo que enfrentar neste momento.

Casagrande chegou ao governo tendo a máquina pública organizada e o Estado sendo uma referência Brasil afora em pontos como equilíbrio fiscal, segurança jurídica e bom ambiente de negócios. Um combo perfeito em um momento em que o país começava a ensaiar a sua recuperação da crise.

A situação que de certa forma já era confortável ficou ainda melhor quando em, abril de 2019, o Espírito Santo saiu vitorioso e com o “bolso” cheio após fechar o acordo para a unificação de campos do Parque das Baleias.

Após negociações que duraram anos junto à ANP e à Petrobras, o Estado passou a ter suas receitas petrolíferas incrementadas e garantiu R$ 1,57 bilhão em recursos retroativos - desse volume, já recebeu cerca de R$ 1,1 bi -, além de um aumento anual da ordem de R$ 200 milhões em Participação Especial. Isso a preços da época, quando ainda não havia acontecido o derretimento do valor do barril de petróleo.

Esse cenário sem dúvida nenhuma era o sonho de consumo de qualquer gestor. Acontece que Casagrande não teve muito tempo para usufruí-lo. Já que o primeiro ano do mandato foi, como naturalmente acontece nas administrações públicas, de avaliação e planejamento das estratégias a serem adotadas.

Justamente quando o governador ia pisar no acelerador para executar seus projetos, parte deles ligados à infraestrutura, vieram as enchentes de janeiro, que devastaram várias cidades do Estado, seguidas da pandemia do coronavírus. Foi um tremendo cavalo de pau nos planos do socialista.

Em um curto espaço de tempo, o governador percebeu que o dinheiro extra do petróleo passaria a ter uma finalidade completamente diferente da que imaginou. Os investimentos se transformariam rapidamente em socorro no combate à Covid-19. O quadro mudou tanto que o governo já prevê perda de receitas da ordem de R$ 3,4 bilhões, conforme divulgou nesta semana. Isso representa uma retração de quase 20% no orçamento deste ano.

Se a queda na arrecadação já não fosse suficientemente dramática, o Estado ainda vai ter que fazer malabarismo para honrar seus compromissos, como o que assumiu ao dar reajuste para a categoria da segurança. Em 2020, são R$ 104 milhões a mais na folha de pagamento. Só que não para por aí. Ano a ano as despesas com pessoal ficarão mais pesadas. Apenas entre os profissionais da segurança, o aumento terá representado um desembolso de R$ 957 milhões ao fim de 2023.

Casagrande, assim como nenhuma outra pessoa no mundo, tinha noção da crise que teríamos pela frente. A queda da receita não é de responsabilidade do chefe do Executivo capixaba, mas a decisão por ampliar gastos com pessoal passa necessariamente por ele. O governador pode justificar, assim como já o fez, que o cenário permitia essa expansão dos gastos. Fato é que ele tinha a expectativa de que tudo daria certo, a realidade, entretanto, se apresenta de outra forma e, desta vez, não estamos falando de nenhum meme.

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