Quando em março do ano passado foi anunciada a fusão da Fibria com a Suzano, a operação trouxe preocupações sobre como seriam as decisões em relação aos projetos e aos investimentos para a unidade de Aracruz. Agora, passado pouco mais de um ano desta divulgação e quatro meses da conclusão do negócio, ainda existe cautela, mas as perspectivas com a união das empresas de papel e celulose se mostram bem positivas.
Na última semana, pela primeira vez a companhia – a 5ª maior do país em valor de mercado (R$ 83 bi) – fez uma apresentação pública, em Vitória, para empresários, autoridades e entidades do Espírito Santo. O gerente de Relações Governamentais e Comunicação da Suzano, Pedro Torres, falou sobre o negócio, sobre os números da nova gigante e sobre o mercado global, mas não entrou em detalhes em relação à unidade capixaba.
Por estar prestes a divulgar os resultados do 1º trimestre – será no próximo dia 10 –, a empresa encontra-se em período de silêncio e não pode dar informações ligadas às estratégias e ao desempenho. Mas, mesmo sem antecipar novidades, o executivo deixou nas entrelinhas da sua apresentação que a planta de Aracruz pode ampliar as operações e vir a receber uma fábrica de papel, o que seria excelente para o Estado.
“A fusão da Fibria com a Suzano traz mais uma possibilidade que não existia antes aqui, que é o negócio papel. Uma das vantagens é que temos 100% da matéria-prima, diferente dos nossos concorrentes que precisam comprar no mercado”, ressaltou Torres em sua palestra durante o lançamento da Mec Show 2019 - Feira da Metalmecânica + Inovação Industrial e da Expo Construções.
Alguns cenários mostrados pelo gerente reforçam que existe espaço para o Espírito Santo entrar na lista das fábricas da Suzano que produzem celulose e papel. Hoje, das 11 unidades espalhadas pelo país, sete têm essa característica de integração.
A expansão da demanda global por celulose e o uso crescente de papel na China – em especial o do chamado papel tissue, que inclui papel higiênico – têm sido propulsores para projetos nesta área. Tanto é que, segundo Torres, o movimento dá a possibilidade ao mercado de construir uma fábrica por ano, especialmente para atender o país asiático, que ainda tem um pequeno consumo per capita de tissue, de 6 quilos anuais. Enquanto isso, na América do Norte esse consumo é de 25,6 quilos. “A cada passo rumo ao desenvolvimento que a China dá, há um mercado vasto para explorar em termos de celulose.”
Além das novas possibilidades para a planta de Aracruz, ao falar sobre o futuro, o gerente citou que a companhia mantém no seu radar projetos como o de biocombustível. Apesar de não ter citado a construção da fábrica de bio-óleo – anunciada para o ES em fevereiro de 2018 pelo então presidente da Fibria, Marcelo Castelli –, Torres deixou a entender que a Suzano vai seguir com o empreendimento. “Tem o biocombustível, que é (fruto de) uma tecnologia que a companhia já tem. Somos sócios de uma empresa que opera no Canadá e já temos projeto pronto para colocar de pé a qualquer momento.”
Há muitas informações que ainda vão ser detalhadas com o tempo. Mas os recados dados pela Suzano neste primeiro momento mostram que o Espírito Santo tem muito a ganhar.