O Fundo de Investimento em Participações (FIP), criado pelo governo do Espírito Santo, vai poder no futuro ser aberto para empresas, prefeituras e até pessoas físicas.
O fundo - que seguirá um modelo de venture capital, ou seja, que permite a aquisição de parte de ações ou a sociedade com uma empresa privada - vai operar neste primeiro momento com recursos exclusivos do Fundo Soberano, mecanismo que reúne receitas provenientes da exploração e produção de petróleo e gás e tem o objetivo de criar uma poupança intergeracional no Estado.
O FIP-ES vai começar com um montante de R$ 250 milhões, a ser administrado por uma gestora privada de investimentos que vai ser contratada nos próximos meses pelo governo capixaba. Esse ativo, o maior da categoria, segundo o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), tem a previsão de realizar os primeiros aportes no início de 2022.
Apesar de o modelo atual limitar o Fundo Soberano como única fonte dos recursos aplicados no FIP, as regras e regulamentos que fazem parte desse novo mecanismo proposto pelo governo capixaba permitem que outros interessados coloquem recursos no fundo.
O secretário de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Desenvolvimento Econômico (Sectides), Tyago Hoffmann, explicou à coluna que no momento não há previsão para a entrada de outros investidores, mas que já existe autorização para tal fim.
"É possível porque a lei e o decreto [que tratam do Fundo Soberano] autorizam essa operação com outros interessados. Mas a ideia é dar os primeiros passos nesse modelo que apresentamos à sociedade. Em um outro momento, porém, o FIP pode vir a ser aberto para investidores privados e para municípios que queriam colocar dinheiro dos royalties lá também"
Hoffmann lembra que no Espírito Santo existem vários municípios, especialmente do Sul capixaba, que recebem um grande volume de receitas provenientes dos royalties e participações do petróleo e que, caso se interessem pelo modelo que está sendo colocado em prática pelo governo estadual, eles podem vir a fazer um direcionamento semelhante dos recursos.
MODALIDADE DE RISCO
Vale lembrar que fundos de venture capital fazem parte de uma modalidade de investimentos classificados como de alto risco. Os investidores e fundos que atuam com esse tipo de ativo avaliam e aplicam recursos em empresas que estão em fase de desenvolvimento no mercado e têm um alto potencial de crescimento. Mas como se trata de companhias que ainda não estão consolidadas, não há garantia de que elas serão bem sucedidas e irão gerar retorno financeiro para os seus investidores.