O ato de abastecer o carro ou a moto é algo que temos como uma ação simples e que encaramos como rotineira. Mas antes de o combustível chegar até a bomba do posto, é preciso passar por muitas etapas, entre elas a da extração do petróleo, que exige um elevado grau de conhecimento técnico, a aplicação de tecnologias e a utilização de equipamentos específicos para este fim.
Um desses equipamentos é produzido aqui no Espírito Santo pela empresa Shawcor. Localizada no Polo Piracema, na Serra, a companhia fabrica revestimentos de tubos em aço carbono para serem usados na extração de petróleo a elevadas profundidades. Atualmente, ela atende um contrato de um grande player da indústria de óleo e gás e é a responsável pela produção de quase 100 quilômetros de revestimentos que serão utilizados no pré-sal do campo de Mero, na Bacia de Santos.
A fabricação do produto, que tem a função de ser um isolante térmico, está acontecendo em duas etapas. A primeira delas foi recém-finalizada, com a entrega de 42 quilômetros do revestimento em 5LPP, o que representou 3.438 tubos, com comprimento médio de 12 metros cada.
O gerente de planta da Shawcor, Glaydson Campos, contou à coluna que a produção da primeira fase durou de setembro de 2020 a janeiro de 2021 e aconteceu em três turnos de 24 horas, durante seis dias da semana. Segundo ele, foi preciso reforçar o quadro de profissionais e contratar 100 trabalhadores para atender a demanda. Até então a empresa tinha 50 empregados.
Agora, a companhia se prepara para a segunda fase do projeto, que deve durar até o final de abril e prevê a produção de 54 quilômetros de revestimento em 3LPP, também para o campo de Mero. Os materiais vão ser instalados no mar, a uma lâmina d´água (profundidade) de 2 mil metros.
Campos explica que o contrato foi fechado em 2019, mas a produção dos itens só foi iniciada no segundo semestre do ano passado porque antes é preciso passar pelo processo chamado de qualificação, em que são realizados vários testes e simulações sobre o comportamento do produto.
"O projeto teve uma qualificação com duração de três meses com testes no Canadá, na Noruega e na Argentina. São feitas simulações no mar em diferentes países para checar e avaliar condições de pressão, temperatura, profundidade, absorção de água nos revestimentos, enfim, como o equipamento vai se comportar em situações e locais diversos. Após todos os testes realizados e aprovados, aí estamos aptos a produzir."
Com a produção realizada no Estado, além de oferecer oportunidades no mercado de trabalho e movimentar a cadeia de fornecedores, a Shawcor também intensificou a atividade portuária local, afinal, todos os materiais e equipamentos importados foram desembaraçados através do Terminal Vila Velha (TVV).
"Mesmo com a pandemia do coronavírus, foi um ano de muito trabalho. Estamos felizes com esse projeto que estamos desenvolvendo e também otimistas, uma vez que já temos outro contrato na sequência, desta vez, para atender o campo de Sépia, na Bacia de Santos"