Formar profissionais, oferecer cursos e qualificações técnicas e desenvolver habilidades dos funcionários são algumas das ações que muitas empresas aplicam no dia a dia dos seus negócios para melhorar o desempenho das equipes e consequentemente o seu posicionamento no mercado.
Na maioria dos casos, os treinamentos são focados nas atividades que a companhia desenvolve e o objetivo é expandir conhecimentos técnicos, dividir com os empregados as tendências do setor ou mesmo trabalhar habilidades de gestão. Mas há quem também esteja preocupado em tornar seus funcionários mais felizes.
No Estado, em meio ao cenário de pandemia - período de muitas perdas de vidas para a Covid-19 e de grandes transformações no mercado de trabalho - a empresa capixaba Viminas decidiu investir em uma formação em felicidade para os seus colaboradores.
A companhia, que tem 400 profissionais, espera oferecer o curso para pelo menos 70% do quadro de pessoal. O objetivo é melhorar o bem-estar dos trabalhadores e a produtividade na empresa.
Ministrado de forma híbrida, ou seja, com dinâmicas e conteúdos presenciais e virtuais, a formação vai durar seis meses e prevê contemplar seis hábitos da felicidade: relacionamento, metas, gratidão, gentileza, atividade física e meditação. A proposta é, segundo a empresa, trabalhar assuntos e atividades que sejam capazes de envolver as pessoas na mudança de hábitos.
A gerente de Recursos Humanos, Rubilene Pimenta, diz que o intuito da Viminas é oferecer ferramentas para que os participantes consigam desenvolver a habilidade de ser feliz, "de modo a contribuir para que eles vivam experiências mais positivas, colaborem entre si, compreendam a importância desses hábitos e que, assim, consigam superar momentos desafiadores com mais confiança, esperança, positividade e gratidão".
A decisão da empresa de investir em um curso para deixar seus funcionários mais felizes levou em consideração o momento delicado vivido pelo país e pelo mundo, com a crise sanitária causada pelo coronavírus.
De acordo com Rubilene, em função das incertezas, inseguranças, preocupações, lutos familiares e medos em relação à pandemia, a organização considerou a formação uma maneira de cuidar da saúde mental dos seus colaboradores.
"A vulnerabilidade das pessoas e da empresa ao vivenciar esse momento mostrou o quão complexo ele é e como precisávamos de apoio para seguir com sanidade mental, contribuindo, assim, para que nossos funcionários tivessem acesso a essa ferramenta. E o bem-estar é uma urgência nesse momento. É preciso colaborar para que as pessoas encontrem fôlego para ultrapassar as adversidades"
O diretor-presidente da Viminas, Rafael Ribeiro, reforça a percepção da gerente de RH, e frisa que o momento é oportuno para fazer esse investimento e cuidar da qualidade de vida da equipe. Para ele, os cuidados com a saúde mental dos profissionais tendem inclusive a gerar resultados mais positivos para os negócios.
"Em meio à pandemia, estamos todos preocupados, muitas pessoas perdendo entes queridos. Isso tira a concentração e influencia em todos os aspectos da vida, inclusive no profissional. Entendemos que, se o trabalhador está bem consigo e em família, ele tem mais empenho, dedicação e produtividade. Cuidar da saúde mental dos funcionários é uma tendência sem volta, também é empreender e pensar à frente."
Embora o tema e a aplicação de cursos com esse tipo de conteúdo ainda não esteja tão presente entre a maior parte das empresas, pesquisas indicam que trabalhadores mais felizes trazem mais resultados para os negócios.
Um estudo da Universidade de Warwick (Reino Unido), por exemplo, apontou que empregados felizes são 12% mais produtivos. E na Universidade da Califórnia (EUA) pesquisadores identificaram que há aumento de 37% nas vendas e três vezes mais criatividade dos funcionários mais satisfeitos.