A capixaba Wine está prestes a desistir de fazer a oferta pública inicial de ações na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3. O IPO (na sigla em inglês), até então previsto para acontecer em novembro, vinha com uma expectativa de levantar cerca de R$ 1 bilhão. Mas, segundo apurou a coluna, a abertura de capital da companhia deve ficar para uma outra oportunidade.
Nos bastidores, a informação é que a demanda de investidores interessados em fazer a reserva foi abaixo do esperado e que, a grande turbulência que o mercado financeiro passou nesta semana, aumentou a aversão ao risco.
“As ofertas públicas como um todo estão com dificuldades de conseguir investidores. Em momentos de riscos mais elevados, os investidores ficam reticentes. Nos últimos dias, o mercado deu uma bagunçada muito forte”, explicou uma fonte que acompanha esse processo de perto.
De acordo com ela, a janela de IPOs está se fechando e a Wine acabou perdendo o momento em que havia um apetite maior entre os investidores. Tanto é que mais de 10 empresas já desistiram de colocar ações no mercado, como foi ocaso da Havan.
Outras fontes comentaram que houve também a sugestão dos bancos que coordenam a oferta pública para a Wine desistir do IPO antes mesmo de realizar a oferta de ações, mas que a companhia preferiu continuar com o processo. Houve ainda a orientação para que o preço inicial das ações fosse mais baixo do que o valor previsto, de R$ 8,50 cada ação, em virtude de os investidores estarem mais restritivos. “O valor que a empresa esperava foi considerado bastante esticado”, pontou um interlocutor do mercado.
Diante de todo esse quadro, fontes a par da transação afirmam que nesta sexta-feira (30), quando encerra o período de reserva das ofertas, a Wine deve anunciar a suspensão do IPO. Mas um analista observa que, se nesse meio tempo surgir alguém que ancore o negócio, pode até ser que ela volte atrás.
“É uma pena. Mas isso faz parte do mercado. É natural essa reavaliação diante da instabilidade do mercado. Mas, vai que aparece alguém grande colocando dinheiro. Isso pode fazer com que a companhia mude de plano novamente. Porém, por tudo que ouvimos hoje ao longo do dia, tudo indica que ela deverá suspender”, pontuou uma pessoa que pediu para ter o nome preservado.
A coluna procurou a Wine na noite desta quinta-feira (29), mas até o momento da publicação não conseguiu contato com representantes da empresa. Tão logo a companhia se pronuncie sobre a operação de IPO, este conteúdo será atualizado.
A WINE
A Wine - maior loja on-line de vinhos do Brasil - está no mercado desde 2008 e conta atualmente com 1 milhão de clientes em seu site, e mais de 178 mil sócios do clube Wine.
Mesmo em meio ao cenário da pandemia, a empresa capixaba apresentou bons resultados no primeiro semestre deste ano. A Wine registrou aumento de 26,4% na receita líquida total até 30 de junho, quando comparado ao mesmo período de 2019. No primeiro trimestre, período anterior à pandemia, o crescimento de receita líquida foi de 12,1%.