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Insegurança

Briga sobre vacina da Covid-19 preocupa empresários do ES

Representantes do setor produtivo capixaba avaliam que solução para imunizar a população deve ser encontrada o quanto antes, mas sem perder o foco técnico

Publicado em 22 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

22 out 2020 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Pandemia do novo coronavírus: vacina vira disputa política
Pandemia do novo coronavírus: vacina vira disputa política Crédito: Fernando Zhiminaicela/Pixabay
recuo do presidente Jair Bolsonaro em relação à aquisição de 46 milhões de doses da Coronavac, vacina da farmacêutica chinesa Sinovac e que será desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan, e a falta de alinhamento entre o chefe do Executivo e sua equipe da Saúde preocupam o setor produtivo capixaba.
Entre alguns empresários a avaliação é de que é preciso haver um alinhamento maior e um objetivo comum e estruturado para que o país consiga sair o quanto antes das crises sanitária e econômica causada pela pandemia do novo coronavírus.
No momento em que o governo federal faz anúncios, por meio da sua equipe de ministros e assessores, e depois o presidente muda de ideia por ter sofrido pressão de aliados, é como se o país estivesse andando algumas casas para trás e ficando mais distante de alcançar uma solução para o enfrentamento da pandemia.
Essas idas e vindas por razões políticas trazem, na visão da presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Cris Samorini, um sinal de insegurança. Ela avalia que tão logo o país estiver mais próximo de imunizar a sua população, além de preservar vidas, o Brasil conseguirá acelerar a sua atividade econômica.
“O mais importante é salvar vidas, mas a vacina vai oferecer também condições melhores para que as pessoas retornem ao trabalho e consigamos ter mais eficiência produtiva. Além disso, temos que lembrar que os protocolos de segurança sanitária representam custos. Eles são fundamentais neste momento, mas mantê-los requer despesas extras que até então as empresas não tinham. Assim, quanto mais se atrasa o processo de vacinação, mais complicada fica a retomada”, avalia.
Para a industrial, a instabilidade do país em relação a esse assunto compromete também a competitividade e os investimentos.
"A gente perde a oportunidade de sair na frente de países que concorrem com o Brasil. E a dúvida se vamos enfrentar uma segunda onda ou não acaba gerando muita incerteza e até postergando investimentos"
Cris Samorini - Presidente da Findes
Posse da nova presidente da Findes: Cristhine Samorini
Cris Samorini é presidente da Findes Crédito: Thiago Guimarães/Findes
A importância de haver um diálogo maior é considerada determinante também pelo presidente do Espírito Santo em Ação, Fábio Brasileiro. “A falta de um alinhamento nacional no combate à pandemia retarda a retomada econômica e atrapalha até no planejamento das empresas para essa recuperação.”
Embora prefira não entrar na briga política, o presidente da Fecomércio, José Lino Sepulcri, diz que o Brasil e o mundo aguardam pela vacina.
“Nossa expectativa é enorme para acabar com esse inimigo número 1 do mundo que é o coronavírus. Entendemos que a solução para eliminar essa catástrofe é altamente positiva, porém as autoridades competentes da saúde é que devem definir qual a melhor opção. Embora a nossa entidade não opine nos conflitos políticos, avaliamos que chegou o momento da população e dos governantes darem as mãos para eliminarmos a Covid-19.”
José Lino Sepulcri é presidente da Fecomércio
José Lino Sepulcri é presidente da Fecomércio Crédito: Marcelo Prest
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado (ABIH-ES), Gustavo Guimarães, defende a vacinação como ponto fundamental para conter a doença, salvar vidas e ajudar na retomada econômica. Mas pondera que o mais importante não é definir de qual país o governo vai comprar a vacina, mas quem será a primeira empresa a oferecer uma solução cientificamente comprovada.
“Será que é só a vacina chinesa que vale? E se sair antes uma vacina da Inglaterra, por exemplo, e ela for capaz de salvar vidas? Por isso, considero que ainda existem muitos ‘senões’ e simplesmente pinçar a fala de Bolsonaro de que não quer comprar a vacina chinesa colocando isso como uma sentença de morte é muito cruel”,  observou Guimarães.
O presidente do Sindbares/Abrasel, Rodrigo Vervloet, tem uma linha de pensamento semelhante. Para ele, as lideranças precisam buscar uma forma de superar a crise sanitária e econômica fruto do novo coronavírus, mas não deve haver precipitação.
"Antes de comprar a vacina A ou B, acredito que é preciso ter um atestado técnico que ofereça segurança à população"
Rodrigo Vervloet - Sindbares/Abrasel
Para o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Faes), Julio Rocha, há uma briga política que não contribui para a melhora do quadro. “O que eu acho triste nessa história toda é haver politicagem até quando se trata de lidar com vidas humanas. E aí a gente fica vendo a falta de consciência das pessoas. Existe muita cobrança em cima dos políticos, mas quem não faz dever de casa é a população”, criticou Rocha ao acrescentar que, assim como Bolsonaro, não tem confiança na vacina chinesa.
Independentemente das avaliações mais críticas ou mais favoráveis à condução do presidente Bolsonaro em relação ao combate da pandemia, fato é que, enquanto o Brasil perder tempo com o cabo de guerra político-ideológico e valorizar propósitos pessoais em detrimento de decisões técnicas e científicas, vamos continuar a contabilizar mortes e prejuízos para a nossa economia. Politizar a vacina é sem dúvida a pior opção que o país pode fazer.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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