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Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Baixa oferta mundial de resina pode afetar setor de rochas no ES

Com a redução no fornecimento de resina epóxi, usada como insumo em vários segmentos, incluindo o de mármore e granito, empresários temem escassez e até falta do item nos próximos meses

Publicado em 06/04/2021 às 02h00
Atualizado em 06/04/2021 às 02h04
Dotadas de desenhos e cores únicas, as rochas ornamentais são bastante requisitadas em projetos exclusivos.
Mercado de mármore e granito pode sofrer impactos com a baixa oferta de resina epóxi no mundo. Crédito: Sindirochas/Divulgação

A redução da oferta mundial de um insumo utilizado pelo setor de mármore e granito, a resina epóxi, está deixando produtores e empresários do Espírito Santo preocupados com os impactos que a escassez do produto pode representar para os negócios.

Componente importante no beneficiamento de rochas ornamentais, a resina é utilizada para fazer o envelopamento de blocos de mármore e granito. A técnica é uma preparação para a serragem. Assim, com esse revestimento, a resistência do bloco aumenta na hora de realizar o corte. 

A grande questão é que o fornecimento do material está acontecendo a conta-gotas em todo o mundo, o que tende a trazer reflexos diretos para a produção minerária local. Tanto o mercado doméstico quanto o internacional podem ser afetados, mas são as vendas para o exterior as que mais devem ficar comprometidas caso a resina epóxi venha a faltar no mercado. 

Isso porque a resina é aplicada principalmente nas rochas exóticas, que têm uma grande demanda dos clientes estrangeiros, a exemplo dos americanos. A coluna apurou que pelo menos 85% do material que é exportado é resinado. Já em relação ao mercado interno,  o percentual dos produtos resinados varia de 30% a 40%. 

Para Tales Machado, a Vitória Stone Fair é  consolidada como um dos quatro mais importantes eventos do setor de rochas ornamentais do mundo.
Tales Machado é presidente do Sindirochas. Crédito: Thiers Turini

Tales Machado

Presidente do Sindirochas

"Os materiais exóticos e superexóticos, muito voltados à exportação, são totalmente dependentes de resina. Por serem mais delicados, frágeis, um dos primeiros passos é resinar o bloco para só então serrá-lo. Se não fizer esse processo, você pode perder o produto"

De acordo com ele e com outras fontes do setor ouvidas pela coluna, há um conjunto de fatores que levou à redução da oferta da resina epóxi mundo afora. Entre eles está o pouco número de fornecedores desse tipo de material, apenas sete, e situações que algumas dessas empresas passaram nos últimos meses.  

Um dos casos é o da chinesa Kukdo, companhia que responde por cerca de 20% da resina produzida no mundo. A fábrica sofreu uma explosão e está sem atividade produtiva desde novembro de 2020. 

Outra situação aconteceu com a Hexion, segundo maior produtor global de resina. A companhia precisou fazer uma parada preventiva em uma de suas plantas na Europa, reduzindo a oferta ao mercado. 

Na sequência, o fornecimento do produto sofreu novo baque. Desta vez, em virtude da paralisação de muitas empresas do polo petroquímico de Houston, no Texas, após a onda de frio que tomou essa região americana, em fevereiro deste ano. 

Outro fator que comprometeu a disponibilidade do insumo foi uma pequena explosão em uma unidade da multinacional alemã Basf, interrompendo as operações. 

Somada às intercorrências citadas acima houve uma alta na demanda mundial pela resina epóxi. O consumo asiático, assim como em outras partes do mundo, cresceu até 70%. "O mercado está muito comprador. A gente já teria problema de fornecimento só pelo excesso de demanda e, agora, com a baixa oferta, o problema se agrava muito", ponderou uma fonte que trabalha com a distribuição de resina no Brasil.

O temor é que, caso não haja uma retomada imediata das plantas industriais que foram paralisadas e a demanda pela resina permaneça alta, o produto tenha um apagão a partir de junho e indústrias capixabas de rochas não tenham o item em seus estoques, inviabilizando parte da produção de mármore e granito. 

Por enquanto, empresas ainda conseguem adquirir a resina, mas fornecedores têm limitado a quantidade por comprador e os preços avançaram nos últimos meses. Somente em 2021, a alta foi superior a 50%. Se for considerado do mês de novembro para cá, esse aumento é da ordem de 70%. 

O receio de quem faz parte da cadeia de rochas ornamentais é que o setor fique no final da lista para receber a resina que está sendo produzida globalmente. Afinal, como lembrou Tales Machado, a resina epóxi é empregada em diversos segmentos e produtos, como celulares, cadeiras, pás eólicas, tintas e veículos. 

"Empresas desses setores têm contrato com grandes fornecedores. Portanto, as fábricas tendem a dar preferência para clientes que são grandes consumidores. E o nosso setor de rochas, em termos de consumo de resina, é pequeno no mundo.  O setor de mármore e granito no Brasil consome apenas cerca de 5 mil toneladas por ano. Só para dar uma ideia, a fábrica chinesa produz por mês 160 mil toneladas de resina", comparou uma fonte.

Diante do quadro de escassez, a orientação de especialistas do ramo é que as empresas administrem seus estoques e não usem a resina se o material não tiver sido vendido ainda. "Quem souber comprar melhor e estocar, vai conseguir trabalhar com mais segurança até que as fábricas retomem suas produções e a oferta se normalize", complementou um empresário do setor. 

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