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Jornalista de A Gazeta. Há 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica.

Anúncio da ferrovia traz otimismo, mas ainda exige cautela

Projeto ainda depende da assinatura de contrato entre Vale e governo federal

Publicado em 31/08/2019 às 18h58
Ferrovia Vitória a Minas ganhará  ramal que ligará Cariacica a Anchieta. Crédito: Divulgação
Ferrovia Vitória a Minas ganhará ramal que ligará Cariacica a Anchieta. Crédito: Divulgação

O anúncio feito na última semana pelo governo federal de que um trecho da ferrovia EF-118, ligando Cariacica a Anchieta, será construído pela Vale é uma grande vitória para o Espírito Santo.

A fala da secretária do Ministério de Infraestrutura, Natália Marcassa, de que a mineradora vai investir R$ 3 bilhões no ramal como contrapartida pela renovação antecipada da concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), conforme noticiou com exclusividade o colega Geraldo Campos Jr, volta a trazer o otimismo de que essa não será mais uma das promessas furadas vindas de Brasília.

O compromisso de que a Vale será a responsável pela obra é determinante neste processo. Afinal, contar com o dinheiro da União para destravar esse antigo gargalo logístico é ilusório, especialmente neste momento de crise e de recursos minguados para investimentos.

Outro ponto que vale destacar é que a notícia foi dada por uma técnica. Marcassa não está ligada a partidos políticos e tem vasta experiência no setor de transportes, entre elas como diretora da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Dessa forma, soa com ainda mais credibilidade o desfecho que se desenha para tirar esse projeto do papel.

Ainda assim, é preciso ter uma dose de alerta, para não dizer desconfiança. O Estado só vai conseguir comemorar de fato, no momento em que os contratos forem assinados, o que, segundo a secretária do ministério, está previsto para acontecer ainda neste ano.

Motivos para a Vale apertar as mãos do governo federal selando este acordo não faltam. Ao levar a ferrovia até Anchieta, a mineradora liga suas operações a mais uma planta, no caso a da Samarco, em que é sócia junto à anglo-australiana BHP.

Isso significa ter mais um caminho para fazer chegar o minério até a unidade de Ubu, que hoje recebe a matéria-prima por meio de minerodutos vindos de Minas Gerais – um dos motivos, aliás, para a Samarco estar com as atividades interrompidas até hoje.

Porto da Samarco em Ubu. Atividades da empresa estão paralisadas desde novembro de 2015. Crédito: Vitor Jubini
Porto da Samarco em Ubu. Atividades da empresa estão paralisadas desde novembro de 2015. Crédito: Vitor Jubini

Fora isso, a Vale passa a ter acesso a mais um porto e reforça a sua logística para um outro grande projeto que tem em estudo:

, que é um produto a base de minério de ferro com maior valor agregado. Esse empreendimento está diretamente ligado ao sucesso do Novo Mercado de Gás, que prevê baratear

.

Já pensando no médio e no longo prazo, contar com a ferrovia para trazer as pelotas de Tubarão – onde está o maior complexo pelotizador da companhia – para a futura planta de HBI em Anchieta é mais uma razão para a companhia investir no ramal.

Vale lembrar que a construção da linha férrea, por enquanto, não condiciona a companhia a ser a operadora do ramal. Mas certamente, na licitação da concessão, ela brigará por isso.

As perspectivas são positivas, mas ainda devem ser vistas com cautela. Primeiro porque o contrato não foi assinado. Segundo, porque o Estado ainda ficará carente do investimento no segundo trecho, ligando Anchieta a Presidente Kennedy, e que é extremamente importante para a logística capixaba.

EMPRÉSTIMO PELO ZAP

Golpistas estão cada vez mais ousados e tecnológicos. Por meio de mensagens de celulares, eles oferecem crédito pré-aprovado e sem consulta ao SPC. Para isso, basta o interessado fazer contato via WhatsApp. Uma “empresa de crédito” que vem tentando fisgar potenciais clientes chega a disponibilizar três números de WhatsApp, todos do Estado do Rio.

INVESTIMENTO ENERGÉTICO

Furnas investiu R$ 46 milhões em um novo banco de transformadores para a Subestação de Viana, aumentando a capacidade de transformação em mais de 35%. Com a obra, a Grande Vitória e o Sul capixaba ganham reforço na confiabilidade do fornecimento de energia.

FOCO NA "MARVADA" 

O segmento de produção de cachaça de alambique já fatura R$ 250 milhões por ano no ES. Nos dias 5 e 6, Vitória vai receber um evento nacional do setor: o Salão de Negócios e Congresso Brasileiro da Cachaça. A expectativa é movimentar mais de R$ 1,5 milhão em negócios.

NA LATA

Perfil

Flávia Milanez Milaneze, da Milanez ENTITY_amp_ENTITYMilaneze. Crédito: Thiers Turini
Flávia Milanez Milaneze, da Milanez ENTITY_amp_ENTITYMilaneze. Crédito: Thiers Turini

Nome:

Flávia Milanez Milaneze

Empresa: Milanez & Milaneze

No mercado: Há 30 anos

Negócio: Feiras setoriais

Atuação: ES e RS, e é integrante do Grupo italiano VeronaFiere

Funcionários: 25 funcionários

Jogo rápido com quem faz a economia girar

Economia: O setor passou por dificuldades, principalmente nos últimos dois anos, mas superamos e 2019 caminha com boas perspectivas.

Pedra no sapato: A falta de infraestrutura moderna para eventos. 

Tenho vontade de fechar as portas quando: Não tenho!

Solto fogos quando: Consigo entregar um evento proveitoso e alinhado para expositores, visitantes e todos os envolvidos.

Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria...: O segmento precisa passar por uma modernização para a realização de grandes eventos.

Minha empresa precisa evoluir em: Processos de inovação em todas as fases do evento, para gerar ações e resultados para além dos dias de realização das feiras.

Se começasse um novo negócio seria...: Faria tudo de novo!

Futuro: Fortalecer os eventos tradicionais de rochas, metalmecânica, petróleo e construção, consolidar a feira de vinho no Sul do país, e, quem sabe, tirar do papel outras feiras setoriais.

Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro: Cecília Milanez, fundadora da empresa e minha mãe.

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