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Jornalista de A Gazeta. Há 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica.

Aeroporto de Vitória: hora de decolar de vez

No próximo dia 15 acontece o leilão de concessão do terminal capixaba, que será licitado juntamente com o de Macaé (RJ), no chamado bloco Sudeste

Publicado em 03/03/2019 às 11h06

Do momento que foi anunciado pela primeira vez até ser inaugurado, em 29 de março de 2018, o novo Aeroporto de Vitória levou 16 anos e custou aos cofres públicos quase R$ 700 milhões ao longo de 11 anos de obras. Agora, no próximo dia 15 acontece o leilão de concessão do terminal capixaba, que será licitado juntamente com o de Macaé (RJ), no chamado bloco Sudeste.

O modelo escolhido pelo governo federal já deu o que falar nos últimos meses. Um dos motivos foi o fato de a licitação ser em conjunto com o terminal fluminense, o que chegou a ser visto por muitos como uma desvantagem já que o aeroporto de Macaé é deficitário e irá precisar de muitos investimentos, como para a construção de uma nova pista.

O próprio governo do Espírito Santo, na gestão passada, foi contra as regras definidas pela União, indo parar até na Justiça para barrar a licitação conjunta. Para o então governador Paulo Hartung juntar o filé mignon (no caso, o terminal capixaba) com o osso (em referência à Macaé) prejudicaria os usuários do Espírito Santo com custos mais elevados para dar suporte às intervenções no Estado vizinho. Outra justificativa era a de que Macaé atrairia licitantes com viés de construção e não de operação de terminais.

Sob o comando do atual governador Renato Casagrande (PSB), entretanto, a questão foi superada após um acordo com a União e com a Anac, no qual o governo capixaba desistiu da ação judicial após o governo federal se comprometer com investimentos nos aeroportos regionais de Linhares e Cachoeiro de Itapemirim.

Além do impasse na concessão em bloco, também gerou grande burburinho a União querer “entregar” para iniciativa privada o Eurico de Aguiar Salles novinho em folha depois de ter investido, com dinheiro dos contribuintes, centenas de milhões de reais. Para alguns críticos, a concessão neste contexto é um contrassenso. Ainda mais considerando que a outorga mínima do bloco é de R$ 435 milhões.

Opinião da qual o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, discorda completamente. Questionado pela coluna, – na última quinta-feira, quando esteve em evento no Estado – se não seria incoerente a União gastar recursos vultosos no novo terminal para na sequência licitá-lo, Freitas rebateu: “Não há absolutamente nenhum problema!”

Para ele, como o Eurico de Aguiar Salles está bem estruturado, isso reduz a necessidade de quem ganhar a licitação fazer muitos investimentos, pelo menos no curto prazo. “Se você diminui investimento, você aumenta a outorga. Então, no final das contas, você compensa isso de alguma forma”, argumentou.

O ministro acrescentou que o grande ganho será na operação em si do terminal, que tende a ter os negócios alavancados a partir do momento que um operador com expertise no setor assumir o lugar da Infraero. “O usuário vai perceber (a melhoria) quando o novo operador fizer a divulgação do Estado no exterior, quando criar mais destinos e integrar o aeroporto com terminais regionais. Quando criar outras oportunidades como, de repente, investir em hotel. Por todos os lados que você analisa, é bom conceder”, defendeu.

Tarcísio de Freitas exemplificou os ganhos que outros aeroportos passaram a ter depois que foram para as mãos de entes privados. “Vamos olhar para o Aeroporto de Fortaleza. Três voos para o exterior antes da concessão. Hoje tem 60. Será que é bom? Me parece que é! Então, vamos apostar neste caminho.”

O exemplo dado pelo ministro é bem contundente e revela o quanto o complexo aeroportuário capixaba pode ganhar fôlego ao ser operado pela iniciativa privada. Alguns pontos, por exemplo, como a própria internacionalização que era prevista para o início deste ano, e agora já foi jogada para o segundo semestre, podem acontecer de forma mais ágil.

Integrantes do governo têm declarado que há interesse de diversos grupos nacionais e estrangeiros, reconhecidos mundialmente, pelo pacote Sudeste. A expectativa é para que essa demanda se concretize – e não tenhamos nada parecido com traumas já vividos por aqui, como quando houve o vazio na licitação da BR 262, em 2013.

O que se espera é que o vencedor tenha experiência para realizar uma operação de excelência e alavancar negócios. Depois de muito custo e muitos anos, os capixabas “ganharam” um aeroporto de qualidade. Mas ainda penam com as poucas opções de voos e destinos.

O que vamos esperar com o processo de concessão é que o setor privado seja capaz de honrar todas as expectativas que estão sendo nele depositadas, e que a União, por meio de órgãos reguladores, faça o seu papel de acompanhar e cobrar.

Infraestrutura cor-de-rosa

 

O ministro Tarcísio de Freitas brincou durante visita ao ES, na última quinta-feira, que o seu ministério não é o da Damares, mas que as mulheres têm se destacado na pasta. “Elas estão mandando numa área que até então era dominada pelos homens!”, afirmou após citar o nome e a função ocupada por várias delas.

Cada um no seu quadrado

 

Casagrande em discurso, na cerimônia que recebeu o ministro da Infraestrutura, fez questão de dizer que ele não irá se apropriar de realizações da União para aparecer bem na fita. “O que for feito pelo governo federal é mérito do governo federal e da bancada.” Algumas línguas mais afiadas acharam que havia uma mensagem subliminar para o governo anterior. “É só olhar o caso do Aeroporto de Vitória. Na gestão passada teve até outdoor do governo do Estado comemorando a obra. Acho que foi um recado para PH”, disse um participante do evento.

Intimado

Além de muitos políticos, o evento com o ministro da Infraestrutura também reuniu grandes empresários. Um deles desabafou para a coluna: “Não tem como recusar um convite feito pelo governador, né? Vamos ver se teremos boas notícias”, afirmou antes do início da cerimônia.

Dois lados da moeda

 

Desde que a legislação permitiu a cobrança de valores diferentes para pagamento em dinheiro, cartão de débito ou crédito, muitos postos passaram a diferenciar o preço do litro do combustível. Agora, a diferenciação está nas bombas. Tem estabelecimento definindo qual a bomba do crédito e qual a do débito. Em um posto de Vitória, por exemplo, uma mostra no painel o preço do litro a R$ 4,19 e na outra R$ 4,32. Então, se o cliente chegar e o frentista pedir para mudar de lado está aí a explicação.

Prestígio de Duque

 

Maurício Duque, que já foi secretário da Fazenda na gestão passada do governo Casagrande, foi designado para exercer o cargo de economista-chefe do Banestes. No dia 6 de fevereiro, Duque foi anunciado pelo governador como presidente do Conselho de Administração do banco. Ele vai acumular as duas funções.

Atribuições de Duque

 

Nos últimos tempos, Duque vinha atuando como consultor empresarial. Questionada pela coluna se ele permaneceria com sua empresa, mesmo ocupando os novos cargos, a assessoria do Banestes disse que ele não foi localizado

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