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Beatriz Seixas

A lapidação do setor de rochas

Há fatores exigindo uma mudança de atitude desta indústria: questões econômicas, a velocidade com que a tecnologia se apresenta para o mundo, a exigência cada vez maior, etc

Publicado em 17 de Fevereiro de 2019 às 14:37

Públicado em 

17 fev 2019 às 14:37
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas Beatriz Seixas
Por aqui, muitas empresas já enxergaram que não podem continuar fazendo o mesmo trabalho de anos atrás Crédito: Divulgação
Lapidar é a especialidade do setor de rochas ornamentais. Mas nos últimos anos, a lapidação que o segmento vem buscando é muito mais profunda. Vai além do aperfeiçoamento puro e simples do mármore e do granito. Está diretamente ligada à necessidade das empresas de se reinventarem para se manterem fortes e competitivas no mercado global.
Há muitos fatores exigindo uma mudança de atitude desta indústria: questões econômicas, como um cenário de crise já conhecido, a velocidade com que a tecnologia se apresenta para o mundo, a exigência cada vez maior por qualidade e uma concorrência crescente e feroz.
Os dados revelam um pouco da dimensão dos desafios. Desde 2013, quando as exportações somaram US$ 1,3 bilhão, elas têm apresentado um comportamento declinante no mercado externo, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais (Abirochas). Em 2018, o faturamento foi de US$ 992,5 milhões. O consumo interno também recuou nesse período, passando de 78 milhões de metros quadrados (m²), em 2013, para 67,8 milhões m² no ano passado.
A queda dos resultados acendeu um alerta para quem é do setor, o que, neste caso, atinge em cheio o Espírito Santo, o maior exportador brasileiro de mármore e granito com um faturamento de 80% do total do país.
Por aqui, muitas empresas já enxergaram que não podem continuar fazendo o mesmo trabalho de anos atrás. Elas reconhecem que a sobrevivência no mercado e a conquista de novos clientes passam pela reformulação do modelo de gestão dos negócios e por mais investimentos em tecnologia e inovação.
Na última semana, com a realização da 47ª edição da Vitoria Stone Fair, esse foi um dos principais temas debatidos entre os participantes. Tanto é que o setor agora considera enfrentar um novo ciclo. O presidente da Abirochas, Reinaldo Sampaio, diz tratar-se da terceira onda de exportações. Segundo ele, a primeira aconteceu com os blocos, a segunda foi com as chapas serradas e polidas e a atual é com o produto final, em que as empresas oferecem uma mercadoria com muito mais valor agregado. “Queremos conquistar o mercado de produto final, a obra, o projeto, agregando valor e sofisticação.”
Parte dessa estratégia é para fazer frente a concorrentes que têm introduzido materiais rochosos artificiais. Josy Andrade, da área de marketing da Andrade Group, cita o caso do quartzo chinês. “O que vem acontecendo com o setor de rochas naturais é uma exigência num ritmo que antes não existia. O quartzo chinês, um material feito pelo homem, trouxe uma velocidade de moda para gente, e o mercado teve que se reinventar para acompanhar.”
O gerente de exportação da Margramar, Madson Hora, reforça as mudanças. “A concorrência tem aumentado até mesmo fora do nosso segmento de rochas, com produtos como cerâmica, porcelanato e quartzos artificiais. Tudo isso tem nos obrigado a nos reinventar todos os dias. Hoje temos uma tendência de muito mais qualidade e menos quantidade, e os quartzitos estão vindo com força total, por serem materiais resistentes e mais sofisticados.”
Ricardo Presti, gerente comercial da PBA Stones, cita outra transformação. “Com relação a materiais, também vejo o Brasil em um momento de reinvenção e de adequação para atender os mercados que têm buscado muita diversificação de rochas, e isso é o que o nosso país tem de melhor. É nessa linha que a gente tem se preparado.”
A consultora no setor de mineração e meio ambiente Olivia Tirello diz que o Espírito Santo tem muitas companhias que já estão surfando na onda dos produtos acabados, mas alerta que o segmento precisa deixar o amadorismo de lado e se profissionalizar.
Ela chama a atenção ainda para um problema antigo e conhecido do setor, o gargalo portuário. “Continuamos fazendo o transbordo das nossas cargas, ou seja, precisamos enviar as rochas para Rio e São Paulo para só então elas seguirem para o exterior. Nossas empresas perdem competitividade com essa falta de infraestrutura.”
Para 2019, o cenário é mais animador. Dados de janeiro do Sindirochas mostram que houve uma expansão de 27% nas exportações em relação ao mesmo mês de 2018. As expectativas de recuperação da economia e do setor da construção civil apontam também para uma maior demanda no mercado interno.
Fato é que nossas empresas têm um potencial gigante, mas ainda precisam explorar outros países como clientes e investir na melhoria dos parques fabris, nos processos de beneficiamento e na qualificação da mão de obra. Caso contrário, serão atropeladas pela concorrência.
Atestado de má-fé
Dono de uma rede de supermercados do Estado contou indignado que demitiu três funcionárias por justa causa após receber atestado médico, todos de uma mesma clínica de Vitória, e descobrir que as três empregadas estavam em um pagode. “Não teve nem como elas se justificarem. Tinha uma transmissão ao vivo pela rede social que mostrava o trio se divertindo. Infelizmente, esse tem sido um problema recorrente no setor.”
Operação plena, o ar nem tanto
Não é só o tempo seco o responsável pelo agravamento da percepção da sociedade capixaba de que o pó preto está mais intenso neste verão. Para fontes ouvidas pela coluna, a retomada das usinas 1 e 2 de pelotização tem relação direta com o aumento da emissão de poluentes. As duas plantas, que estavam desativadas desde 2012, foram religadas no ano passado. Elas representam de 7% a 10% da movimentação total das oito usinas. 
Quase lá
Até abril, a 1ª Vara Federal Criminal de Vitória deve dar a sentença sobre o emblemático caso da Telexfree. Esse, que é o principal processo envolvendo a empresa, vai julgar três sócios, que respondem ainda por outros 20 processos. Os réus são acusados de cometerem crimes contra o sistema financeiro e contra a economia popular.
Sobrecarregado
Um detalhe curioso é que o juiz responsável pelo caso precisou suspender temporariamente outro processo contra os envolvidos no esquema de pirâmide para dar conta de analisar todas as provas relativas à ação penal principal. Não é para menos. Além de complexo, o processo tem quase 5 mil páginas.
Impulso do interior
O setor da construção civil está mais otimista para 2019. Mas, por ser uma área que depende de investimentos mais elevados, essa recuperação não é imediata. Mesmo assim, em algumas regiões do Estado, empresários dizem que o ano começou aquecido. O presidente da Soma Urbanismo, Gustavo Barbeitos, conta que, em janeiro, a loteadora teve bons resultados no Norte e no Noroeste. “Tivemos um aumento de 300% em vendas de lotes, sem lançamento de produto, apenas com estoque. Um recorde em toda nossa história de dez anos.”
Saúde compartilhada
Muito utilizados por profissionais das áreas de Marketing, Arquitetura e Administração, os espaços coworkings agora ganham vez entre os médicos. Tendência em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, a área compartilhada para profissionais da saúde chega ao Espírito Santo. O empresário Amós Souza, que irá abrir o MediMaxi no próximo mês, conta que uma das principais vantagens desse modelo de negócio é a redução de custos para os profissionais. Principalmente para aqueles que estão começando e ainda não montaram uma clínica completa, pode ser uma alternativa interessante.
Na expectativa
A plataforma P-71 não deve demorar muito para vir para o Estado. A expectativa é que até meados deste ano ela chegue por aqui. A embarcação, que teve seu casco construído na China, será finalizada no Estaleiro Jurong Aracruz. Sinal de mais negócios e empregos.
Dinheiro sob o comando feminino
Da segurança à gerência, todos os profissionais da nova agência do Sicoob na Praia da Costa, Vila Velha, são do sexo feminino. Ao todo, são 12 trabalhadoras. É a primeira vez que uma unidade do banco – hoje existem 107 agências em todo o Estado –, tem um time exclusivamente feminino.
Mas se tiver algum bandido metido a machão, a mulherada já manda o recado. Segundo elas, a agência é equipada com os mais modernos dispositivos de segurança, inclusive sistema que lança fumaça em caso de invasão.

Beatriz Seixas

Beatriz Seixas Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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