Aqueles que retiram a nossa paz são, de longe, os mais embrutecidos. Saber o que nos pacifica é uma trilha longa de autoconhecimento. Todos temos pontos sensíveis que, quando acionados, podem nos fazer entrar em estado de alerta, explodir ou implodir. Mapear esses pontos requer intenção e coragem. Buscar contato com nossos horrores internos pode ser apavorador, mas sustentar o incômodo e fazer a travessia de cada um deles compensa.
Nem sei exatamente quando a palavra “surpresa” começou a me gerar inquietação. Talvez seja há mais tempo do que a minha consciência admite. Apenas recentemente, percebi esse incômodo e o coloquei na conta de ter assumido responsabilidades muito cedo, da paixão por antever cenários, da obsessão por fazer planilhas de eventos com o máximo de itens e outros temas, digamos, de natureza laboral. Quem nunca buscou respostas rápidas para questões profundas, não é mesmo?
Fato é que, para acessar e colocar em palavras nossas vulnerabilidades, precisamos de lugares seguros. Só relaxamos em um lugar onde o que dissermos pode e será usado a nosso favor. Esse lugar é construído. Seja ele na relação consigo, seja com os outros. É onde há espaço para a amorosidade e o acolhimento transbordarem.
A brutalidade nas relações nem sempre está apenas nas palavras ditas ou na violência física. A negação à escuta, o abandono, o silêncio punitivo e a má-fé também podem ser sinais ocultos de guerra.
Abri este mês com uma roda de conversa com pessoas incríveis para falar sobre o poder da palavra nas relações. Acredito profundamente que trocar palavras de afeto promove cura. Foi praticamente um evento-surpresa. Uma chance para retirar os lençóis dos meus fantasmas e partilhar o aconchego de bons amigos.
A paz é como o amor, só existe na prática. Quando, mesmo em meio ao caos, nos movemos para pacificar, o universo responde com uma enormidade de surpresas boas.