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Governança

Quem escuta e ouve mais erra menos

Mandatos mais participativos são mais possíveis quando se trata de unidades federadas de menor porte. Estados como o Espírito Santo e municípios como os capixabas podem experimentar gestões governamentais inclusivas

Públicado em 

30 nov 2023 às 00:30
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

A arte de ouvir e escutar pode trazer bons resultados em governos mais democráticos em suas tomadas de decisão, plurais em suas ações e efetivas em seus resultados. Democracia, pluralidade e efetividade que se contrapõem a práticas fechadas que só contemplam interesses menores no toma lá, dá cá na relação entre poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e entre eles e o poder representado por grandes empresas.
Se essas práticas são abertas, o confronto entre interesses menores e aqueles da sociedade como um todo fica menos tortuoso para aqueles que no exercício de mandatos desejam fazer a diferença em questões sociais, econômicas e políticas. Práticas fechadas levam ao descrédito da política porque mudam muito pouco o historicamente construído e mantêm os benefícios para poucos que se repetem a cada ciclo.
Mandatos mais participativos são mais possíveis quando se trata de unidades federadas de menor porte. Estados como o Espírito Santo e municípios como os capixabas podem experimentar gestões governamentais inclusivas da diversidade social, cultural, econômica e política em seus territórios.
Para além dos instrumentos de escuta e compartilhamento de decisões cada vez mais eficientes graças às tecnologias das comunicações disponíveis, aqui é muito mais fácil a mobilização de pessoas para encontros presenciais. Diálogos presenciais que valorizam o embate entre diferentes sejam essas diferenças provocadas por questões sociais, culturais, econômicas ou políticas.
Embates entre diferentes que podem gerar convergências de interesses porque esses se referem, na maioria das vezes, a territórios comuns a todos. A exceção principal fica por conta de empresas de maior porte cujos interesses se vinculam mais à competição internacional do que ao desenvolvimento local.
O que parece à primeira vista um ponto negativo pode se transformar em um ativo para a construção de projeto de desenvolvimento humano para o estado e seus municípios que valorize sua gente e suas coisas. Grandes empresas que operam no Espírito Santo podem facilitar o acesso e a utilização de informações e conhecimentos disponíveis mundo afora e que servirão para suplementar o que aqui é produzido de ciência, tecnologia e inovação.
O confronto entre as visões que instruem a ação dessas grandes empresas e aquelas que permeiam o plural e diverso tecido social, econômico e político capixaba pode resultar em ações mais efetivas de desenvolvimento por parte dos governos estadual e municipais. Efetividade que pode ser ampliada com a combinação do conhecimento tácito de quem atua em movimentos sociais e empresas com aquele mais sistematizado dos que trabalham em instituições de ensino e pesquisa no estado.
Para que o circulo virtuoso da escuta que leva à maior participação social que resulta em ações governamentais mais efetivas se dê, é necessário melhorar a capacidade dos governantes de ouvir e escutar a população. Ouvir e escutar o que ela sabe e quer sobre segurança, educação, saúde, cultura, meio ambiente, economia.
Facilitar o debate entre esses saberes e aqueles acumulados em empresas, instituições de ensino e pesquisa é o principal atributo que se pode desejar de governantes comprometidos com um outro Espírito Santo possível.
Possibilidades que precisam ir além do crescimento e desenvolvimento econômico. Possibilidades que precisam se concentrar cada vez mais no desenvolvimento dos humanos e de suas relações com os demais viventes.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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