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Inclusão digital

Problemas e possibilidades: aprendendo em tempos de pandemia

Cada vez fica mais difícil, mesmo para céticos, deixar de reconhecer o quanto podem ser facilitadas relações econômicas, sociais e culturais a partir do uso ampliado de tecnologias da informação e das comunicações

Publicado em 29 de Julho de 2021 às 02:00

Públicado em 

29 jul 2021 às 02:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Tecnologia, redes sociais e internet. Mulher segura tablet
Para longe de qualquer determinismo tecnológico, o que precisa ser operacionalizado são experimentos de arranjos voltados para a inclusão digital Crédito: Gerd Altmann/Pixabay
pandemia da Covid-19 explicitou os mais diversos tipos de interdependência que unem tanto a humanidade como um todo – ninguém se salva sozinho -, quanto os humanos com os demais seres viventes. Cada vez fica mais difícil, mesmo para céticos, deixar de reconhecer o quanto podem ser facilitadas relações econômicas, sociais e culturais a partir do uso ampliado de tecnologias da informação e das comunicações, que até recentemente pareciam coisas só possíveis em países desenvolvidos ou para pessoas ricas.
Todas as formas de organização – das sociais às empresariais, passando por governos – entenderam, em maior ou menor grau, que são substanciais as possibilidades de captar, processar e transmitir todo tipo de informação e parcela considerável de conhecimentos. Do trabalho, estudo e entretenimento à distância a novas formas e conteúdos em relações pessoais e familiares, tudo foi afetado pelos problemas causados pela pandemia e para tudo foram abertas possibilidades tecnológicas pouco aceitas por muitos até 2020.
Para além de questões que mexem com o emocional de cada pessoa – é difícil aceitar as restrições necessárias impostas a celebrações e a despedidas -, a convivência com a pandemia demonstra que existem também limitações de ordem econômica e cultural para uma mais ampla utilização do que é possível tecnologicamente. A exclusão digital pode se dar por falta de recursos financeiros a meios – aparelhos, redes de internet, por exemplo. Mas ela também é causada por dificuldades que aumentam tanto com a falta ou a baixa escolaridade quanto com o avançar da idade.
Limitações econômicas e culturais e dificuldades cognitivas estão aí para serem visitadas e superadas. Parte das pessoas as visitam e superam a partir de dons; outras por necessidades imperiosas. O fato dessas parcelas serem crescentes demonstra o quanto existe de espaço para o desenho e operacionalização de políticas públicas voltadas para a inclusão digital.
Governos, organizações da sociedade civil e empresas precisam se conscientizar que o analfabetismo tecnológico funcional, diminui muito os impactos econômicos, sociais, culturais e políticos possíveis a partir do já disponível tecnologicamente. Excluídos tecnológicos precisam ser tratados sob a perspectiva das oportunidades que se abrirão para indivíduos e grupos sociais a partir do melhor acesso que tiverem a tanto que hoje já é possível em termos de informações e conhecimentos.
Para longe de qualquer determinismo tecnológico, o que precisa ser operacionalizado são experimentos de arranjos voltados para a inclusão digital. Todas as tentativas de soluções amplas, gerais e irrestritas, como se tecnologia e alocação de recursos financeiros fossem panaceias, já fracassaram.
Insucessos passados devem inspirar o aprender com os equívocos e buscar outras soluções. Soluções que quanto mais próximas estiverem de especificidades, maiores serão as possibilidades de casos melhor sucedidos. Proximidade que pode ser buscada em espaços de trabalho, de ensino, de cultura, de moradia.
Ir ao Google e procurar o que já deu certo quando empresas, escolas, governos buscaram a inclusão digital possível a quem dela precisa, pode ser um primeiro passo para quem se pauta por dificuldades 'insuperáveis'. Até a inércia pode ser superada mesmo por quem dela se apropria para permanecer em zonas de conforto. Mas é preciso ousar experimentar.
O segundo passo deve ser o colocar em marcha a conversa com quem se busca contemplar com a inclusão. Motivação e disponibilidade encontráveis em excluídos pode servir de inspiração para quem entende que a inclusão digital pode ser um passo importante e necessário para a construção de um novo normal.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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