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É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço. Escreve quinzenalmente às quintas-feiras

A pandemia traz oportunidades para aprendizados coletivos

Seus efeitos sociais e econômicos desafiam todas as pessoas e organizações a repensar, pelo menos, suas relações com humanos

Publicado em 17/06/2021 às 02h00
Ambiente de trabalho; máscara; distanciamento
As organizações - sejam elas governamentais ou privadas – também têm oportunidade ímpar de aprendizagem para além dos tempos da pandemia. Crédito: Freepik

Difícil imaginar uma só pessoa que esteja naturalmente imune à Covid-19; mais difícil ainda é aceitar que pessoas e organizações se recusem a aprender com a pandemia que se instalou mundo afora. No plano individual é de se esperar que a lição do cuidar de si e do outro esteja sendo aprendida. O outro vai além do círculos familiar e de amigos para contemplar também desconhecidos. O cuidar de si implica em afastamento físico, uso de máscara, higienização pessoal e das coisas usadas, vacinação, aumento da imunidade via exercício e alimentação, por exemplo.

As organizações - sejam elas governamentais ou privadas – também têm oportunidade ímpar de aprendizagem para além dos tempos da pandemia. O chamado novo normal sob hipótese alguma será o retorno ao que estava instalado quando a Covid-19 foi identificada como pandemia. O mundo econômico, político e social mudou e vai continuar mudando, ponto.

O quanto cada governo, empresa ou organização social vai se dispor a aceitar desafios e oportunidades dessa mudança vai depender do quanto lideranças de cada uma delas estarão dispostas a sair de suas zonas de conforto. Zonas de conforto que recusam a aceitar o diferente e por isso inibem a busca de fazer diferente, de inovar.

A pandemia e seus efeitos sociais e econômicos desafiam todas as pessoas e organizações a repensar, pelo menos, suas relações com humanos – sob a forma de familiares, amigos, trabalhadores, competidores etc., e com o meio ambiente, seja ele natural, construído ou destruído. Buscar entender a diversidade e pluralidade da criatura humana como uma possibilidade de novos caminhares e não um problema a ser superado pode ser um bom começo para a superação da pandemia e para a construção do novo normal.

Superação e construção que também precisam se dar na forma como vemos o meio ambiente. O natural enquanto patrimônio da humanidade e que como tal precisa deixar de ser entendido para além dos dogmas da propriedade privada. Por isso florestas, cursos d’água etc. devem ser vistos como ativos coletivos fundamentais tanto para o enfrentamento das mudanças climáticas quanto para o aprender das pessoas sobre quão essencial é a harmonia com a natureza para a vida dos humanos.

Os ambientes construídos – sejam para uso coletivo, familiar ou de organizações, devem ser repensados a partir das possibilidades e desafios de novas formas e conteúdos de relações sociais, econômicas e políticas entre as pessoas e delas com o ambiente mais ou menos imediato. Ou alguém acredita que encontros virtuais para trabalho, estudo e entretenimento deixarão de ser relevantes no novo normal? Ou alguém ainda pretende ver sua casa, seu local de trabalho, sua rua, seu bairro, sua cidade, seu estado, seu país como algo desconectado da vida do planeta?

Possibilidades de novas formas e conteúdos nas interações à distância entre humanos já foram testadas ao longo desses quase um ano e meio de pandemia. Mesmo diante dessas possibilidades é de se desejar o retorno o mais rapidamente possível de encontros presenciais para celebrações da vida. Mas a proximidade física para fins de trabalho, de estudo, dentre outros, passará a se dar em plano bastante distinto do que prevalecia até 2019.

O novo normal será pautado pela consciência de que muitos deslocamentos em cidades, Estados, países e entre eles, passaram a ser desnecessários. O que pode ser bom para o meio ambiente e para que tempos que deixarem de ser gastos com eles sejam usados para o cuidar de si; estar com entes queridos; criar novas oportunidades de convivência social e de relações econômicas.

Quanto mais rapidamente pessoas e organizações se derem conta dessas novas oportunidades maiores serão as possibilidades de no novo normal vivenciarmos melhores tempos para humanos e demais criaturas. É melhor acreditar nessas oportunidades que podem parecer utópicas do que continuar imaginando o retorno dos tempos de antes das pandemia plenos de distopias.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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