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Sociedade

Por que ir a Cuba e não para Cuba

Além da solidariedade prestada, brigadistas têm a singular oportunidade de vivenciar conquistas do povo cubano que são registradas por agências internacionais e que parecem ser impossíveis, diante de suas magnitudes

Públicado em 

29 mai 2025 às 15:35
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Anualmente, cerca de mil pessoas vão a Cuba prestar solidariedade a seu povo. Organizadas em brigadas, são pessoas oriundas da América do Sul, dos Estados Unidos, do Canadá, México, Europa, países nórdicos, entre tantos que buscam conhecer melhor a realidade do povo cubano e a ele ser solidário. Solidariedade cada vez mais necessária diante do criminoso bloqueio econômico  imposto pelo governo dos Estados Unidos há mais de 60 anos.
Além da solidariedade prestada, brigadistas têm a singular oportunidade de vivenciar conquistas do povo cubano que são registradas por agências internacionais e que parecem ser impossíveis, diante de suas magnitudes. Verificar in loco os avanços da sociedade cubana na área da educação, por exemplo, traz acalento para quem acredita nela como instrumento de coesão social.
De uma situação de analfabetismo generalizado, quando da queda do regime ditatorial de Fugêncio Batista em 1959, Cuba erradicou o analfabetismo a partir de 1961 e mantém índices de alfabetização próximos a 100%. O ensino é gratuito do nível pré-escolar ao universitário, algo raro na maioria dos países do Ocidente, o que garante, mesmo a famílias de baixa renda, formação educacional completa.
O governo cubano investe fortemente na formação docente. Nada surpreendente, portanto, que em avaliações educacionais coordenadas pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), Cuba frequentemente lidere os países das Américas em disciplinas como matemática, ciências e leitura.
Para os brigadistas, também é importante vivenciar o destaque que a Organização Mundial da Saúde (OMS) confere a Cuba, como exemplo de país que, mesmo com recursos econômicos limitados, tenha conseguido estabelecer um sistema de saúde com ampla cobertura e bons indicadores. São indicadores positivos e fruto, por um lado, da prioridade dada pela Revolução Cubana ao acesso universal à saúde. Por outro, dos investimentos feitos em medicina preventiva.
Os resultados dessas prioridades e de demais ações coordenadas pelo governo cubano são, entre outros, esperança de vida, dentre as melhores do mundo; taxa de mortalidade infantil, dentre as menores das Américas; cobertura de vacinação praticamente total, sendo a maioria das vacinas desenvolvidas no próprio país. Além disso, a Escuela Latinoamericana de Medicina (ELAM) é um exemplo reconhecido de iniciativa internacionalista e solidária.
Avanços notáveis em educação, saúde e igualdade social, superando muitos países chamados desenvolvidos, levaram o Banco Mundial a valorizar Cuba em suas análises de desenvolvimento humano integral. Isso apesar de décadas de embargo econômico imposto por sucessivos governos dos Estados Unidos, o que demonstra a capacidade de adaptação e criatividade para manter serviços básicos funcionando.
Tal capacidade de adaptação e criatividade levou Cuba, de uma economia baseada na exportação de açúcar, tabaco e rum, no turismo de jogos e prostituição, quando da deposição de Batista em 1959, para outro perfil econômico na atualidade. Hoje, as principais fontes de divisas para Cuba são saúde (através da venda de serviços médicos e hospitalares, medicamentos e vacinas); turismo cultural, científico e de lazer; tabaco e rum.
Havana, capital de Cuba
Havana, capital de Cuba Crédito: Reprodução/ Pixabay
Diante dessas evidências que podem ser constatadas e admiradas por brigadistas solidários ao povo cubano, cabe a eles se tornarem vozes ativas contrárias ao criminoso bloqueio imposto pelos sucessivos governos dos Estados Unidos. Criminoso, sim, na medida em que cria para seu pequeno vizinho crescentes restrições de relacionamento econômico, social e cultural a demais países que desejam se relacionar com o povo cubano e sua rica diversidade natural, social, econômica e cultural.
O que hoje vive a maioria dos países do mundo e seus cidadãos, diante das peripécias do governo Trump, é sofrido há mais de seis décadas pelo povo cubano. Nesse sentido, pode-se dizer que embargados somos todos, diante do imperialismo estadunidense.
Por isso a importância das denúncias ecoadas por brigadistas, quando do retorno a seus países. A volta enseja a vontade de contribuir para que, muito do que se vivencia em Cuba, também ocorra onde vivem. Os estadunidenses, por exemplo, desejam um sistema de saúde semelhante ao que existe em Cuba, e não um simples atendimento a doenças, fortemente determinado pelos interesses financeiros de seguradoras, da indústria farmacêutica e produtora de máquinas e equipamentos hospitalares.
Para quem vive no Sul global, aumenta a motivação para acreditar que sim, um outro mundo é possível. Fica evidente que as cruéis desigualdades e explorações de humanos e da natureza em nossos países são fruto de um sistema que pode ser superado com mobilização das forças sociais, na busca de mais justiça social e de uma outra qualidade para o desenvolvimento econômico e social.
Nesse sentido, a experiência em Cuba vai muito além da solidariedade pontual. Ela é inspiradora para reflexões mais profundas sobre modelos de sociedade, prioridades políticas e o papel que cada cidadão pode desempenhar na transformação do mundo – do mais próximo ao mais distante geograficamente.
Ao conhecer de perto as conquistas do povo cubano, apesar de tantas adversidades impostas, os brigadistas voltam sensibilizados e mobilizados. Revigoram seus compromissos com a busca por justiça, soberania e dignidade em seus próprios territórios. Cuba, com todas as suas complexidades, reafirma que resistir é criar, e que um futuro mais humano e solidário continua sendo necessário e plenamente possível.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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