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Meio ambiente

O que Estados e municípios têm a ver com a COP 15? Tudo

É necessária a participação de forma mais ativa e propositiva em questões ligadas às mudanças climáticas e à redução da biodiversidade

Publicado em 15 de Dezembro de 2022 às 00:05

Públicado em 

15 dez 2022 às 00:05
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Em andamento em Montreal, Canadá, desde o dia 7 e com duração até 19 de dezembro, a COP 15 é mais uma tentativa da comunidade internacional sob a coordenação das Nações Unidas de se debruçar sobre a crucial questão da biodiversidade no planeta. Biodiversidade ameaçada por diversos fatores, mas que tem na ganância de poucos o principal vetor de extinção de espécies e redução da população das que ainda resistem.
De acordo com estimativas recentes, a população de espécies foi reduzida na média em aproximadamente 69% entre 1970 e 2018. A abundância de mamíferos, pássaros, peixes, anfíbios e répteis vêm se reduzindo rapidamente. Redução que é mais dramática na América Latina e no Caribe, onde nos últimos quase cinquenta anos houve uma redução de aproximadamente 94% no tamanho médio da população de espécies da flora e fauna.
Se contrapor a essa tendência perversa do sistema econômico, que vê a natureza como recurso a ser explorado o mais rapidamente possível para gerar benefícios financeiros concentrados nas mãos de alguns poucos, é tarefa tão complexa quanto as que envolvem a crise climática.
Complexidade que aumenta na medida em que nos fóruns internacionais e nas estruturas de poder mundiais e nacionais são fortes as influências do capital improdutivo e de seus interesses incrustados nas indústrias do petróleo, da mineração e no agronegócio de larga escala.
Influência que vem gerando desalento naqueles que acreditam nas possibilidades de convivência mais harmoniosa entre humanos e a natureza, como a praticada por populações nativas em diversas partes do mundo. Possibilidades que se ampliam na medida em que o progresso da ciência e da tecnologia indica caminhos para ampliar o que nativos praticam há séculos e que pode ser usado para melhor atender os interesses da maior parte da população mundial com menores riscos para os demais seres viventes.
Descarte de lixo é um dos maiores impactos humanos sobre a biodiversidade
Descarte de lixo é um dos maiores impactos humanos sobre a biodiversidade Crédito: PublicDomainPictures/ Pixabay
Enquanto o debate sobre questões como as das mudanças climáticas e as da biodiversidade se resumirem a negociações internacionais e em posicionamentos políticos de Estados nacionais, fica cada vez mais vulnerável o futuro da maioria dos seres humanos em escala global. Vulnerabilidade que precisa ser enfrentada a partir de atitudes que sensibilizem as pessoas para os riscos que corremos enquanto humanidade.
Sensibilização que precisa ir além de números tão grandes que acabam por alienar a maioria do processo de discussão. Reduzir a escala da discussão para instâncias mais acessíveis à percepção das pessoas pode ser uma estratégia mais adequada para o engajamento de mais pessoas do processo de tomada de consciência para com problemas ambientais e suas consequências sociais e econômicas.

AÇÃO LOCAL

Por isso a importância de governos estaduais e municipais participarem de forma mais ativa e propositiva em questões ligadas às mudanças climáticas e à redução da biodiversidade. O que, por exemplo, faz parte da proposta do segundo mandato do governador Renato Casagrande e que reflita a discussão que ele presenciou na COP 27, recentemente ocorrida no Egito? Como suas propostas de investimentos públicos responderão às emergências climática e da biodiversidade? Isso tanto para obras sob a direta responsabilidade do Estado quanto daquelas que são por ele propostas ao governo federal; ou são por ele incentivados através de apoio fiscal e financeiro a empresas.
Estudos demonstram os riscos ambientais de ampliação do sistema viário, como é o caso da BR 101 na área que corta a Reserva de Sooretama; de atividades portuárias e industriais que reconhecidamente causam sérios impactos ambientais e para as quais mitigações ambientais são mera figuras de retórica.
Atuar de forma articulada com o governo federal sob a liderança do Presidente Lula comprometido com a crise climática e com a biodiversidade pode ser um caminho para o governo do Estado. O outro é mobilizar com prefeituras a participação da sociedade no enfrentamento de questões nessas áreas e que são facilmente percebidas pela população.
Mesmo quando elas são aparentemente pequenas – como a limpeza de cursos d’água e valorização/recuperação de bolsões de biodiversidade – a sensibilização que podem causar junto à população tende a ser maior do que uma reportagem em telejornais nacionais e internacionais. Experimentação certamente pode trazer melhores resultados do que a inércia atual.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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