O término do verão e o início do outono deste ano foi marcado por temperaturas altas e chuvas frequentes aqui no Espírito Santo. As precipitações, apesar de estarem abaixo da média prevista, ainda são uma condição muito favorável para a colheita de frutas de boa qualidade, como a banana. Muitas delas foram plantadas em meados de outubro e novembro justamente para aproveitar o clima úmido do início do ano.
Mas esse cenário pode mudar nos próximos meses, mais precisamente em junho e julho. Isso porque as projeções climáticas indicam o surgimento do fenômeno El Niño. Trata-se do aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que provoca alterações na circulação de ventos na atmosfera terrestre e, consequentemente, a frequência das chuvas em diversos pontos do planeta.
Especialistas preveem que o El Niño de 2026 cause o aumento da temperatura ao longo do ano e alterações na média de chuvas. Cada região do Brasil pode ser impactada de uma forma diferente.
No Sul do país, a previsão é de um maior volume de precipitações comparado aos anos anteriores. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o prognóstico é o inverso, com poucas chuvas e chances de períodos de seca. Para o Espírito Santo e a região Sudeste, de forma geral, a tendência é de chuva acima da média.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os efeitos do El Niño podem durar de 9 meses a 2 anos, o que significa impactos tanto na colheita de frutas e hortaliças já plantadas há alguns meses quanto nas próximas plantações.
É verdade, no entanto, que não existe um único padrão climático para a agricultura. Em alguns casos, o aumento no volume de chuva, por exemplo, pode ser benéfico para culturas de sequeiro, ou seja, aquelas que não necessitam de irrigação. Por outro lado, existem frutas e hortaliças que são impactadas negativamente nesse cenário.
A bananeira, por sua vez, é uma planta que necessita de chuvas bem distribuídas durante o ano. O excesso de água em um curto período pode causar o apodrecimento das raízes e o surgimento de fungos, o que impacta a qualidade das bananas.
É certo que toda essa conjuntura geográfica cria um clima de preocupação nos negócios. Produtores precisarão ficar atentos às mudanças causadas pelo El Niño e monitorar a temperatura e umidade de suas regiões. Será fundamental se preparar para a realização de técnicas específicas de manejo, tais como escalonamento de plantios, drenagem de solos e diversificação de culturas. Todas essas ações demandarão, inclusive, um maior planejamento financeiro.
Mas, se as previsões realmente se confirmarem, tais medidas serão primordiais para garantir safras com qualidade e produtividade, além de resultados positivos para o agronegócio brasileiro como um todo em 2026.