Mais que bem-vinda a faixa exclusiva para transporte público na Terceira Ponte, repaginada também com uma ciclovia. Que esse seja uma movimento que se espalhe tanto na Grande Vitória quanto em outras cidades capixabas.
As reações contrárias tanto às faixas exclusivas quanto às ciclovias são bastante sonoras e certamente ganharão espaços tanto nos meios de comunicação de massa quanto nas redes sociais. Usuários intensivos de automóveis acostumados à quase que exclusividade pelo uso de espaços viários públicos reclamam pela faixa vazia enquanto que as duas destinadas a automóveis continuam congestionadas nos horários de pico.
O automóvel impregnado através das campanhas de publicidade e marketing como objeto de desejo da maioria da população se transformou numa prioridade mesmo para quem não o possui. Mudar esse desejo e criar uma nova mentalidade que priorize a circulação de pessoas através do transporte público se torna tarefa que necessita de mobilização social para ações governamentais necessárias.
A primeira é a de priorizar a circulação de pessoas em ônibus e em bicicletas. Para tanto se faz necessária a criação de malha de faixas exclusivas para transporte público e ciclovias por todo o tecido urbano. Malha que precisa ser complementada por terminais, pontos de ônibus e calçadas mais confortáveis e adequadas para idosos, mulheres e portadores de deficiência. Por ciclovias que atendam aos movimentos casa-trabalho-casa também da população de bairros de menor renda e de favelas.
A segunda é a de onerar financeiramente mais usuários de automóveis que os utilizam em movimentos pendulares. Utilização que acaba prejudicando profissionais que necessitam de transporte individual para melhor desempenharem seus serviços. Oneração que pode ser fonte de receitas para reduzir tarifas do transporte público e melhorar a infraestrutura viária voltada para a maioria da população.
Com custos financeiros mais elevados e com tempos de viagem maiores, automóveis podem ficar menos atraentes para muitas pessoas. Assim já é em diversos países do mundo onde a propriedade privada de veículos foi identificada como prejudicial ao meio ambiente, às relações sociais e à economia.
A ninguém deve ser negado o direito de usar sua renda para a compra e manutenção de automóvel para chamar de seu. Desde que esse direito esteja subordinado aos interesses maiores da sociedade, do meio ambiente e da economia.
Que a faixa exclusiva para ônibus e a ciclovia na Terceira Ponte sejam apenas um primeiro passo para que a Grande Vitória e outras cidades capixabas se tornem mais contemporâneas no enfrentamento da emergência climática, de injustiças sociais e de baixa eficiência econômica.
Enfrentamento nada simples diante do poder financeiro da cadeia produtiva do petróleo e de seus desdobramentos pela indústria automobilística. Poder financeiro que se reflete na defesa explícita e implícita de seus interesses através de propagandas enganosas, de fake news e de bem articulada presença na academia, nos grandes veículos de comunicação, em redes sociais e nas estruturas de governo.
Por isso, enfrentamento que precisa de mais e melhores articulações entre governos e movimentos sociais com o objetivo de assegurar investimentos públicos que reflitam prioridades para a maioria da população e para o atendimento da emergência climática. No presente e para o futuro.