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Pandemia

Este ano vai ser igual ao que passou? Tomara que não!

Para além das emergências e adequações no presente é preciso que se crie uma consciência de que muitas das necessidades que surgiram no passado recente em função da pandemia vieram para ficar

Publicado em 10 de Fevereiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

10 fev 2022 às 02:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Contrariamente ao tema do samba de Zé Keti, o carnaval deste ano vai ser parecido com o do ano passado. Parecido porque no ano passado as festas em espaços públicos foram canceladas e em 2022 haverá mudança na data dos desfiles de escolas de samba. Vão acontecer por pressão de toda uma cadeia produtiva que contempla de costureiras e trabalhadores na montagem de carros alegóricos até grandes redes de rádio e televisão e seus patrocinadores.
A lógica imposta por esse segmento da indústria cultural vai no mesmo caminho das cadeias de shopping centers e grandes unidades fabris: a diminuição da rentabilidade financeira precisa ser estancada. Concessões continuam sendo feitas por governos estaduais e municipais em função das pressão de grupos econômicos com peso em campanhas eleitorais.
Os mais pragmáticos dizem que nada mais justo, já que governar é gerir interesses diversos. O que parece importante chamar atenção é que os interesses que vêm sendo mais atendidos são muito específicos e pouca atenção é dada à diversidade de visões que também precisam ser contempladas quando da tomada de decisões por quem foi eleito para governar.
Ouvir, por exemplo, trabalhadores do comércio, da indústria, dos transportes diretamente afetados pelas tentativas de manter normal o funcionamento da economia pode ser um bom começo. Dialogar com quem trabalha no atendimento de saúde e no ensino poderia vir junto. Sabe-se que quem atua na ponta ou em serviços de apoio a essas duas importantes áreas constitui um segmento que corre riscos mais elevados em função da própria característica dos locais onde trabalham.
Conversar, escutar, dialogar com trabalhadores da saúde e da educação precisa ser colocado na agenda de governadores e prefeitos de forma semelhante ao diálogo permanente que mantêm com donos de hospitais e escolas e gestores governamentais nessas áreas.
Exigência de uso de máscaras, afastamento físico e apresentação de passaporte vacinal deve merecer prioridade nos debates sobre como e quando voltar a atendimentos presenciais. O risco de contaminação é grande para quem trabalha na saúde e é também significativo para quem exerce funções diversas na educação.
Alunos, professores e funcionários na volta à aulas presenciais encontram o que é preciso para que os riscos de contaminação sejam diminuídos? Existe a necessária fiscalização para que o uso de máscara seja feita por toda a comunidade escolar? O passaporte vacinal está sendo exigido? As escolas estão contemplando possibilidades de ensino híbrido, presencial e a distância?
Às alegações de dificuldades para que medidas sejam implementadas, deve ser indagado quando e como superá-las. Para além das emergências e adequações no presente é preciso que se crie uma consciência que muitas das necessidades que surgiram no passado recente em função da pandemia vieram para ficar. Trabalho, estudo, entretenimento, encontros sociais, entre outros, dificilmente voltarão a ser como nos tempos anteriores ao surgimento e espraiamento da Covid-19.
Quando mais cedo as autoridades facilitarem debates ampliados sobre a necessidade da construção de um novo normal, melhor. A estratégia avestruz de fazer de conta que inexiste tempestade e que já, já tudo volta ao normal é comprovadamente inadequada. Melhor reconhecer e aprender com equívocos do passado recente para que no futuro só sejam cometidos novos e imprevisíveis erros.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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