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Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

"Por um triz", um lindo disco de Rogério Botter Maio

É o sexto álbum do contrabaixista e compositor, mas o seu primeiro trabalho dedicado apenas a canções não instrumentais

Publicado em 02/02/2021 às 18h24
O contrabaixista e compositor Rogério Botter Maio
O contrabaixista e compositor Rogério Botter Maio. Crédito: Reprodução/Instagram @rogeriobottermaio

Por um triz (independente/distribuição Tratore) é o sexto álbum do contrabaixista e compositor Rogério Botter Maio, mas o seu primeiro trabalho dedicado apenas a canções não instrumentais. Algumas são totalmente inéditas, outras já tinham sido gravadas como instrumentais e agora receberam letra.

Botter Maio é instrumentista e compositor de responsa. E sua decisão de entregar cada faixa a um “canário” (mulher ou homem), graças aos dotes vocais de cada um, revelou-se um grande acerto – o CD é lindo! Não é para menos, saca só a galera: Jane Duboc, Renato Braz, Sérgio Santos, Fátima Guedes, Vanessa Moreno, Ana Paula da Silva e o cantor português Jazzafari.

“Vem dançar” (RBM e Luis Felipe Gama) abre a tampa. Lá estão Fábio Leandro (piano), Vinícius Gomes (violão), Rogério Botter Maio (baixo acústico) e Emílio Martins (percussão). O arranjo é belo. Na intro a batera. O piano a seguir. E vem Renato Braz – a canção parece feita para sua voz suave. O piano vibra num intermezzo. O baixo acústico, bem como a percussão, é (muito) discreto. O violão improvisa. O piano junto. Braz canta em terças. Com vocalizes a voz segue dobrada. Seu canto brilha. Após uma nota aguda, Braz passa a bola pro piano, para, ainda com a voz dobrada, levar ao final.

“Gangorra” (RBM e Rogério Santos) conta com as participações especiais de Cristóvão Bastos (piano) e Jane Duboc (que voz mais linda, seu timbre está mais bonito do que sempre), que divide o canto com Botter Maio. Para tocar um arranjo exuberante (todos no CD são de RBM), lá estão Fábio Leandro (piano Wurlitzer), Jurandir Santana (violão), Botter Maio (voz, baixo fretless), Emílio Martins (percussão) e Quadril Quarteto de Cordas: Alice Bevilaqua (violino 1), Micaela Marcondes (violino 2), Elisa Monteiro (viola) e Vana Bock (cello).

“Tranchan” (RBM e Márcio Tubino) conta com a participação de uma das nossas grandes vozes femininas, Fátima Guedes: mais do que nunca, sua voz está profunda. Com ela, estão Vanessa Moreno (vocal), Jurandir Santana (guitarra), Cássio Ferreira (sax alto), Alexandre Silvério (fagote), Botter Maio (baixo fretless) e Miguel Assis (batera e percussão). Com eles, a levada contundente do samba explode no ar. Haja suingue, ele é total!

Sérgio Santos tem participação especial em “Muro ou Ouro” (RBM e Vanessa Bumagny). Santos é um cantor que, quando interpreta, agrega seu DNA à música: sua voz ilumina o arranjo. Após linda intro, vêm sopros e percussão. O arranjo está por conta dos sons de Fábio Leandro (Fender Rhodes), Bruno Mangueira (violão), Botter Maio (baixo acústico), Rodrigo y Castro (flauta e flauta baixo) e Miguel Assis (percussão). Meu Deus!

Dentre tantas belezas, uma me impressionou: o altruísmo com que Rogério Botter Maio concebeu seu álbum. Desprendido, não rola estrelismo fútil para demonstrar e exibir qualidade a qualquer preço. Para ele o que vale é o som como um todo, e é como um todo que a beleza está em Por um triz.

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