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Política

Renato Casagrande pode ser reeleito governador no primeiro turno

A observação dos cruzamentos e das inferências do conjunto de resultados da pesquisa Ipec/Gazeta, mesmo a cinco meses das eleições, indica essa tendência

Publicado em 07 de Maio de 2022 às 02:00

Públicado em 

07 mai 2022 às 02:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Governador Renato Casagrande (PSB) busca apoio de mais de 10 partidos
Casagrande tem 42% das intenções de votos na menção estimulada Crédito: Lissa de Paula/Ales
pesquisa Ipec/Gazeta, divulgada nesta semana, indica que, se for candidato à reeleição, o governador Renato Casagrande só perde para ele mesmo. A preços de hoje, ele pode ganhar as eleições no primeiro turno. A observação dos cruzamentos e das inferências do conjunto de resultados da pesquisa, mesmo a cinco meses das eleições, indica essa tendência.
Casagrande tem 42% das intenções de votos na menção estimulada. Tem mais do que a soma de todos os outros pré-candidatos. Na simulação de votos válidos, ele teria 50,6% dos votos válidos. É apertado, mas, dada a margem de erro da pesquisa (4%), é uma foto do momento. Já na menção espontânea, ele sai com 23%, enquanto todos os outros somados chegam a apenas 10%. Seu recall permite largar com boa margem de cristalização de votos.
A rejeição de Casagrande é de 23%, considerada baixa para quem está na vitrine há tanto tempo. Está no mesmo patamar das rejeições à Manato (21%) e Contarato (19%), que estão em segundo lugar nas intenções estimuladas, ambos com 11%. Na seqüência, a rejeição de Erick Musso é de 18%, de César Colnago 16% e de Felipe Rigoni 15%. É o caldo de cultura da rejeição à Política e aos políticos. Só Aridelmo tem apenas 10%. E Guerino e Audifax têm 12%.
Isso indica que, no ES, não deveremos ter uma guerra plebiscitária entre rejeições muito altas, como é o caso das pré-candidaturas presidenciais. Indica, também, que Renato Casagrande tem baixa fadiga de material.
Parênteses. Ironicamente, a decisão do ex-governador Paulo Hartung de não se filiar a partido político e não disputar eleições majoritárias neste ano acaba favorecendo Casagrande. O ex-governador ainda não pendurou a chuteira, mas tem sinalizado que não se envolverá na política eleitoral capixaba. A sua retirada da disputa diminui o potencial de oposição à reeleição do governador.
A rejeição ao governador ainda pode ser atenuada na campanha. Isso porque sua gestão tem avaliação positiva: 47% de ótimo e bom e 36% de regular. É uma boa avaliação, considerando os impactos negativos da pandemia e das enchentes de 2020. Além disso, seu índice de confiança é significativo: 59%. Nas redes sociais, ele ainda vai apanhar muito mais, com o rótulo de comunista e de “aliado de petistas”. Mas sai bem agora na largada.
Outra informação da pesquisa, ressaltada aqui no site por Leonel Ximenes, chama a atenção. Casagrande e Contarato, juntos, chegam a 53% das intenções estimuladas. Isso aponta para a possibilidade de crescimento da centro esquerda, em comparação com os votos mais conservadores. A fragmentação da direita e centro direita favorece essa possibilidade.
Tudo somado, a fragmentação do campo conservador, o peso relevante das intenções de votos na centro esquerda (53% em Casagrande e Contarato), e a liderança de Lula na pesquisa (45%) também impulsionam a possibilidade de Casagrande vir a ganhar no primeiro turno.
Ainda mais se o PT vier a retirar a candidatura Contarato, como é especulado na mídia, em função das tratativas do PT com o PSB em nível nacional. Por enquanto, o antipetismo não parece ser uma tendência decisiva em 2022. Aliás, já em 2020, na eleições municipais, vimos um indício dessa diminuição do antipetismo em Vitória: João Coser foi para o segundo turno com Lorenzo Pazolini e teve expressiva votação.
Assim, intuo a possibilidade de reeleição do governador Renato Casagrande. Com a retirada do ex-governador Paulo Hartung da disputa eleitoral, a condução do processo de transição política no Espírito Santo, até 2026, ainda deverá ser liderada por Renato Casagrande. Vamos aguardar para ver o que dirá Sua Excelência o eleitor em outubro.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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