Ao lançar nesta semana, no Palácio Anchieta, o Plano Estratégico do Parque Logístico do Espírito Santo (o chamado Parklog ES) o governo do Estado oficializa e fortalece uma necessária visão espacial/regional do desenvolvimento estadual.
Este primeiro Parklog ES visa organizar e impulsionar o desenvolvimento do hub logístico e industrial que já está funcionando em Aracruz, ao norte do Espírito Santo. Em torno de Aracruz está em curso a formação de um polo de desenvolvimento.
Este polo compreende os municípios de Serra, Fundão, Aracruz, João Neiva, Ibiraçu, Linhares, Colatina, Jaguaré, Sooretama e Marilândia – dez municípios. Em Aracruz, como se sabe, já estão as empresas Suzano, Portocel, Estaleiro Seatrium, VPorts e Porto Imetame (em processo de implantação).
Neste polo será instalada a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Aracruz, em área de 500 mil metros quadrados. É uma conquista estratégica para o crescimento do comércio exterior e a verticalização da industrialização capixaba.
O mesmo conceito de hub logístico e polo de desenvolvimento deverá ser aplicado na região Sul do Estado. O governo já estuda a criação de um segundo parque logístico (Parklog).
O governador Renato Casagrande já anunciou a decisão. A proposta do segundo Parklog, ao Sul, deverá ser liderada pelo vice-governador Ricardo Ferraço.
O novo hub logístico seria impulsionado pela implantação, já em curso, do Porto Central no município de Presidente Kennedy. Um novo porto indústria, em formato de condomínio, com investimento em torno de R$ 17 bilhões em todas as suas cinco fases de implantação. Sendo a primeira fase prevista para 2027, com investimento em torno de R$ 3 bilhões.
Um catalisador de um novo hub logístico e industrial voltado para o comércio exterior, com relevância inequívoca para o desenvolvimento da região Sul do ES e para o avanço da integração do Brasil nas cadeias produtivas globais.
Ao mesmo tempo, o anúncio da reativação das Usinas de Pelotização 1 e 2 da Samarco em Anchieta estimula a implantação deste segundo Parklog no Sul do ES. A reativação das usinas vai representar investimentos de R$ 3.5 bilhões até 2028.
Sem contar com o “efeito transbordamento” desses investimentos na economia capixaba em função do papel estratégico da Samarco, que já chegou a representar 5% do PIB do ES.
Tudo somado, os dois polos de desenvolvimento – ao norte e ao sul – são instrumentos robustos para “espalhar” o perfil espacial da economia capixaba para além da região metropolitana da Grande Vitória.
Conformam-se, portanto, três processos em curso que estão interligados para a continuidade da mudança do perfil da economia capixaba.
Primeiro, a mudança do perfil setorial, em busca de projetos de maior agregação de valor, seja no setor industrial, seja no agronegócio, seja no setor serviços.
Segundo a mudança do perfil da conformação do capital, agora com o tripé capital regional, capital nacional e capital internacional.
E, por último, a descentralização espacial do processo de desenvolvimento, fomentando forças econômicas endógenas no processo de crescimento da economia regional capixaba.
São avanços relevantes.
No Espírito Santo, a dependência excessiva de forças econômicas exógenas sempre foi um calcanhar de Aquiles.